Misericórdia de Estarreja com nova sede administrativa

O Bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, abençoou a nova sede administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, inaugurada no passado sábado, sita nas renovadas instalações da antiga Casa dos Pobres, na Rua Escola do Agro, em plena cidade de Estarreja.

Para a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, Rosa de Fátima Dias de Figueiredo, a inauguração desta sede foi a concretização de um anseio de há muitos anos. “Nós tínhamos os serviços administrativos e financeiros concentrados num lar de idosos, o que mexia um pouco com os idosos que aí estavam. Como tínhamos este edifício há já alguns anos, que nos foi entregue pela Segurança Social, desafiámos os arquitectos Alberto Montóia e Cristina Teixeira da Silva a fazerem um projecto de remodelação e beneficiação, de que resultou esta sede bonita, apesar de muito simples”, explicou a provedora.

Para além da sede, a Misericórdia de Estarreja tem vários pólos espalhados pelo concelho, nomeadamente o Pólo da Terceira Idade, o Pólo da Infância e o Pólo da Juventude. Neste último, a provedora revela que estão 20 jovens adolescentes. “É uma valência criada recentemente e que integra um projecto educativo no âmbito da luta contra a pobreza”, esclarece. Há ainda o Hospital Visconde de Salreu, que se encontra arrendado ao Estado. No entanto, como está projectado um novo hospital em Estarreja, é provável que o imóvel do Visconde de Salreu regresse à titularidade plena da Misericórdia, embora a provedora diga que ainda é tudo uma incerteza. “Esse será um desafio a longo prazo para a Misericórdia, mas ainda não há nada definido”, adianta.

Crise por “excesso de estupidez”

Este ano, a Misericórdia de Estarreja comemora o seu 75.º aniversário, com um programa de actividades iniciado com a inauguração da nova sede administrativa e uma conferência proferida pelo estarrejense Carlos Tavares, antigo ministro da Economia e actual presidente da Comissão de Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM), sobre “Crise financeira ou crise de valores”.

Carlos Tavares recordou que estamos a completar três anos sobre o início da crise, que começou em Abril de 2007 com o problema dos créditos dos bancos americanos, problema que rapidamente ganhou foros globais, atingindo também Portugal. Esta crise, na opinião do presidente da CMVM, veio mostrar que há uma “crise de valores”, porque os bancos privilegiaram o “lucro a curto prazo”, “arriscaram muito” com o dinheiro dos depositantes e “quase sem o controlo dos accionistas”, nem dos “supervisores e reguladores”.

Passados três anos, ainda ninguém sabe o valor exacto da crise mundial, mas Carlos Tavares diz ser muito superior aos 1.500 milhões de dólares de que se fala. Apesar disso, e estando feito o diagnóstico e encontradas as vias para tentar sair da crise, “nada foi feito de concreto” e, pior ainda, há gente na banca que parece já ter esquecido o que motivou a crise – “excesso de fluidez e excesso de estupidez”, nas palavras de Carlos Tavares –, e esteja a avançar com os mesmos métodos que originaram a crise, incluindo os designados “produtos tóxicos” bancários, com a agravante de agora também serem dirigidos ao pequeno aforrador, normalmente mais mal informado do que os grandes investidores profissionais.

Cardoso Ferreira