Misericórdia de Estarreja comemora 75 anos

Na sexta-feira, Daniel Serrão profere uma reflexão sobre eutanásia. No sábado, é lançado um livro sobre os 75 anos da Misericórdia estarrejense.

Uma palestra pelo professor Daniel Serrão e o lançamento de um livro são os pontos altos das comemorações dos 75 anos da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja, que se comemoram nos dias 22 e 23 de Outubro.

“Reflexão médica e ética sobre a eutanásia” é o tema da palestra que o Professor Daniel Serrão irá proferir, na próxima sexta-feira, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal.

No dia seguinte, pelas 9h30, no hall dos Paços do Concelho terá lugar a recepção aos convidados, seguindo-se a celebração da Eucaristia, na Capela de Santo António, situada na Praça Francisco Barbosa.

Pelas 11 horas, novamente no edifício dos Paços do Concelho, será lançado o livro “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja”, da autoria de Marco Pereira, e a oferta de pintura pelo artista estarrejense José Mendonça, após o que terá início a sessão solene.

O almoço de confraternização está marcado para as 13 horas.

Hospital e Asilo

Foi com o Padre Donaciano de Abreu Freire, reitor de Beduído, que se iniciou, em 1923, uma campanha na imprensa local visando a criação de uma Misericórdia e um Hospital. Apesar do entusiasmo inicial, a ideia não avançou, pelo que, em 1926, aquele padre reuniu-se com o Visconde de Salreu. Este benemérito local, com fortuna feita no Brasil, prometeu ajudar e, nesse mesmo ano, iniciou-se a construção do Hospital e do Asilo para idosos e inválidos, que ficou concluído em 1935, sendo então visitado pelo presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar.

No dia 4 de Outubro de 1935, numa reunião realizada na Câmara Municipal de Estarreja, foram aprovados os primeiros estatutos da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja e eleita a sua primeira Mesa Administrativa. No ano seguinte, o Visconde de Salreu doou à Misericórdia o Hospital e o Asilo, construídos num monte, em Salreu, onde ainda hoje se mantém.

O projecto do Hospital foi da autoria do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior. O primeiro corpo de enfermagem foi constituído por quatro enfermeiras Franciscanas Missionárias de Calais (ver página 5), enquanto a equipa médica era constituída essencialmente por médicos do concelho que, em muitos casos, aí trabalhavam gratuitamente, o mesmo se passando com Bissaya Barreto, famoso médico e professor universitário de Coimbra, que vinha regularmente a Salreu realizar cirurgias.

A partir de 1975, o Hospital passou a ser gerido pelo Estado, tendo perdido os serviços de Obstetrícia e de Urgências, em 1985 e 2008, respectivamente.

O Asilo Viscondessa de Salreu abriu portas em 1936. Mais tarde, passou a funcionar em instalações situadas atrás do Hospital, as quais foram demolidas a partir de 1978, para darem espaço à construção do actual Lar de Idosos.

Entre os grandes mecenas do Hospital, e da própria Misericórdia, destacam-se os nomes de Joaquim Maria de Rezende e de Adelino Dias Costa.

Em 1941, foram criados os Serviços Anti-Tuberculose, com um Dispensário, e o Pavilhão Abrigo (para internamentos), os quais foram ampliados e melhorados em anos seguintes, nomeadamente em 1953 e 1958. Em 1975, o edifício já estava desocupado quando nele começou a funcionar o Centro de Saúde de Estarreja.

Apoio à Infância

e à Terceira Idade

O Lar de Idosos abriu em 1981, mantendo a capacidade para acolher 50 utentes, apesar das obras de ampliação e remodelação inauguradas em 2003. Nesse edifício funciona, desde 1987, o Centro de Dia, com 20 utentes. A partir de 1991, iniciou-se o serviço de Apoio Domiciliário, que agora conta com 59 beneficiários. Em 2001, começou o Apoio Domiciliário Integrado, que conta com 15 utentes.

O Ninho dos Pequeninos, situado num espaço anexo ao edifico original do Asilo, abriu portas em 1938. Na década de 1950, passou a designar-se por Casa da Criança. Com a passagem do Asilo para outro local, o edifício original foi adaptado para acolher o Centro Materno-Infantil (1962) e o Jardim-Escola João de Deus (1965).

De 1984 a 1992, nas instalações da antiga Casa dos Pobres funcionou um ATL para 50 crianças, as quais foram integradas no Centro Social da Teixugueira, que abriu portas pouco depois, centro que continua a ser o principal espaço da Misericórdia destinado a crianças e jovens, onde funcionam as valências de creche, jardim-de-infância e ATL.

Na antiga Casa dos Pobres estão actualmente instalados os serviços administrativos e financeiros da Misericórdia de Estarreja, cujas obras foram inauguradas já no corrente ano.