Missa de defuntos

O leitor pergunta – Qual a diferença entre uma “missa por alma de” e uma “missa em memória de”?

– No caso de uma “missa em memória de”, quais são as leituras que devem ser escolhidas: as da féria ou as do Ritual das Missas de Defuntos?

As perguntas revestem-se de uma certa ambiguidade. Vamos procurar alguns elementos de resposta, que abram horizontes, mesmo que não sejam resposta directa.

Comecemos por recordar que a Eucaristia, memorial da oferta redentora de Jesus Cristo, graça oferecida a todos e por todos vivida, é uma celebração de toda a Igreja e para toda a Igreja, isto é, de todos e para todos os vivos e defuntos.

Na sequência de um “santo e salutar pensamento”, que vem desde o Antigo Testamento, a Igreja oferece orações por aqueles que morreram. Por isso, sempre a Eucaristia se apresenta como acção de graças de toda a Igreja e nela se recordam “todos os que partiram já deste mundo”. O hábito de “afectar” a celebração a alguns nomes em particular não é de sempre, não é uniforme na Igreja; tem razões e circunstâncias históricas.

As expressões referidas pelo leitor equivalem-se. A menos que, com a primeira, se queira presumir que alguém precisa da solidariedade da Igreja para chegar ao abraço eterno com Deus, enquanto, com a segunda, se pretenderia insinuar que a evocação da sua memória traduz a convicção de que esse abraço é já uma realidade. Faz-se memória (obrigatória ou facultativa) dos santos.

Ao dizer-nos “Fazei isto em memória de Mim”, o Senhor Jesus manda-nos que seja permanente este estado de união com Ele, para saborear a salvação. Não se trata de somar missas atrás de missas, para “resgatar” quem quer que seja. Sendo a celebração a presença do Mistério Pascal de Jesus Cristo, Ela é bastante para operar a salvação. Mas como a Igreja vive na história, na sucessão do tempo, faz continuamente presença desse Mistério Pascal durante o seu tempo.

Quanto aos textos, o que dizem as orientações litúrgicas é que, em certos dias, nem sequer é permitido usar textos exequiais: a solenidade do Domingo ou de Festividades prevalece. É que, antes de mais, o nosso Deus é um Deus de vivos e não de mortos. E, pela fé, sabemos que a vida não acaba, apenas se transforma. Portanto, mesmo os que partiram, estão vivos, à espera da Festa final!

Além disso, embora o Ritual das Missas de Defuntos ofereça certa variedade de Palavra, seria empobrecedor recorrer continuamente a um limitado leque de textos, em detrimento da abundância de Palavra que a distribuição da leitura bíblica pelos ciclos litúrgicos nos proporciona.

Q.S.