Revisitar o Vaticano II O Vaticano II, no n.º 2 do decreto Christus Dominus, após afirmar a responsabilidade do Romano Pontífice em relação a todas as Igrejas, considera a responsabilidade dos Bispos como sucessores dos Apóstolos. “Com efeito, Cristo deu aos Apóstolos e aos seus sucessores o mandato e o poder de ensinar todas as gentes, de santificar os homens na verdade e de os apascentar. Por conseguinte, os Bispos foram constituídos, pelo Espírito Santo que lhes foi dado, verdadeiros e autênticos Mestres na Fé, Pontífices e Pastores”.
Ensinar. A primeira responsabilidade do Bispo é escutar piedosamente a Palavra, torná-la constitutivo do seu ADN episcopal, para a viver alegremente e a ensinar fielmente. Um tarefa que reclama esforço continuado, de estudo, meditação, oração, vida e proclamação. Assim, ele ensinará como quem tem autoridade. E ao Povo de Deus em comunhão orgânica, que é como quem diz, desde os presbíteros aos leigos, cabe acolher o seu testemunho e a sua proclamação, procurando integrar nas suas vidas o mesmo itinerário.
Santificar. Nós somos humanos. Mas a simpatia por excelência do Verbo que Se fez carne, para nos abrir o caminho da santidade, é garantia de que podemos trilhar o caminho proposto: “Sede perfeitos como o Pai do Céu é perfeito”. Sem esgotar a missão da Igreja, a via dos Sacramentos é indispensável a este caminho. Ao Bispo cabe testemunhar a autenticidade destes sinais da Graça; e é ele que dá origem visível a essa torrente de Vida. A mesma Comunhão orgânica tem a missão de os viver com autenticidade e de os distribuir conforme as suas responsabilidades.
Governar. “Entre vós, o maior faça-se o servo de todos”. Mas se o serviço significa estar ao lado, ser arrimo e estímulo, significa também, muitas vezes, a firmeza de convicções a transmitir, a organização e planificação do trabalho a realizar, a gestão dos recursos humanos e materiais, a advertência e a correcção de caminhos…, que tem momentos de maior simplicidade e outros de maior complexidade, confusões no que respeita à liberdade e limites de dignidade. Trabalho que só é possível se o serviço do Bispo ecoar numa Comunhão orgânica de Serviço!
Diferentes nas nossas qualidades e responsabilidades, nas nossas funções e ministérios, só poderemos viver a radical igualdade de Filhos de Deus, como verdadeiro Povo eleito, se cada um exercer, com dedicação, competência e gratuidade, as diversidades que lhe competem. Povo de Profetas, Sacerdotes e Reis, somo-lo nesta diversidade de competências, vivida na Caridade do Espírito.
Querubim Silva
