Testemunho de seis voluntários missionários do Bunheiro, que entre 16 de Agosto e 17 de Setembro estiveram em Angola
Numa iniciativa missionária integrada num projecto paroquial, como o Correio do Vouga noticiou, seis missionários do Bunheiro (Murtosa) estiveram em Mona-Quimbundo (Angola): P.e Filipe Coelho, António Amador, Carla Cruz, Ana Daniela Guerra, Inês Rodrigues e Ana Rita Amador.
Esta missão iniciou-se muito antes do dia da partida do avião, através da realização de diversas iniciativas de apoio, como o Fim-de-semana Missionário, a Festa Help Mona-Quimbundo (parceria com a rádio SFM e o Bar Saldida), a venda de bolos no final das eucaristias e no bar dos Bombeiros Voluntários da Murtosa (BVM) e ainda o Almoço Missionário no salão de festas dos BVM. Estas iniciativas, que contaram com a participação e empenho de todos, contribuíram, sem dúvida, para que esta missão se tornasse possível.
O trabalho desenvolvido durante a Missão em Mona-Quimbundo englobou várias vertentes: educação, saúde, construção civil e evangelização.
Apesar de conscientes do que iríamos encontrar, quando chegamos, aquilo que observamos foi uma realidade completamente diferente daquela que havíamos idealizado. Na educação, constatamos várias lacunas: défice de formação por parte dos professores, falta de professores e analfabetismo, sobretudo feminino. Relativamente à saúde, na comuna de Mona-Quimbundo, existem estruturas físicas razoáveis mas que não funcionam e são inúteis perante a inexistência de água, medicamentos e alimentos para os doentes, lençóis /cobertores para as camas, electricidade e ainda, de profissionais de saúde devidamente formados. No que respeita à construção, foi edificado um salão polivalente no centro de Mona-Quimbundo, aproveitando os alicerces de uma antiga casa, entretanto destruída. Num futuro próximo, este salão tem como principais funções, constituir-se como um centro onde decorra formação para catequistas, aulas de costura e culinária e, todas as formações em geral.
No campo da evangelização, a prioridade foi a liturgia, tendo sido realizada uma formação aos acólitos e feito um intercâmbio de cânticos. Em todas as aldeias visitadas realizámos uma palestra com temas de educação para a saúde; proporcionámos formação de Língua Portuguesa e Matemática e assistência médica, dando prioridade aos mais doentes, grávidas, crianças e idosos. Por fim, distribuíamos papa Cerelac pelas crianças.
De um modo geral, o povo Chokwe, apesar das suas dificuldades, pareceu-nos feliz. É um povo “resistente” (também em termos de saúde) e, apesar da alimentação pouco nutritiva, são poucos os casos de fome. Fomos bem acolhidos. É de realçar a generosidade para connosco, apesar do pouco que têm.
Não há palavras, nem imagens que retratem esta experiência. Sem dúvida, uma das mais enriquecedoras, de sempre, para nós, missionários. Esperamos que para o ano sejam outros os missionários o testemunho vivo desta iniciativa.
Como se diz em Angola, “estamos Juntos”. E disponíveis para continuar neste projecto.
A equipa missionária do Bunheiro
