MMI apresentou projecto da Biblioteca Digital das Pescas

O Museu Marítimo de Ílhavo (MMI), em colaboração com a Direcção Geral das Pescas e outras entidades e instituições ligadas ao mar e às pescas, está a desenvolver um projecto que visa construir “uma biblioteca digital das pescas, uma espécie de banco de memórias do sector das pescas, o que irá fazer do MMI uma “espécie de arquivo fundamental de memórias vivas, plurais, e um reduto de cultura”, informou o director do museu, Álvaro Garrido, na cerimónia comemorativa do Dia Internacional dos Museus, realizada na noite de 18 de Maio.

Essa biblioteca será “ancorada» num outro projecto do MMI, que é o Centro de Estudos de Cultura Marítima e História Local, cuja apresentação pública esteve agendada para o Dia Internacional dos Museus, mas que foi adiada para data mais oportuna.

Museu, promotor da mudança

Este ano o Dia Internacional dos Museus teve por lema “Museus como agentes de mudança social e de desenvolvimento”, tendo Álvaro Garrido aproveitado a ocasião para partilhar alguns dos modos como o Museu Marítimo de Ílhavo, tem tentado alcançar essa “utopia construtiva dos Museus como agentes de mudança social e de desenvolvimento”, ainda que seja “difícil atribuir ou aceitar por parte dos museus o papel de promotor da mudança social, quando as verdadeiras forças da sociedade global onde nós vivemos, as forças económicas e, em muito menor escala e em cada vez menor escala, as forças políticas, podem eventualmente não estar interessadas ou, pelo menos, sensibilizadas” para isso.

Álvaro Garrido considera ser mais lógico afirmar os museus, enquanto museus de âmbito local ou regional, como é o caso do MMI, como agentes “de inclusão social ou mesmo de inovação social”.

No Dia Internacional dos Museus, decorreu no MMI a primeira apresentação pública do livro “Portugal no Mar”, editado conjuntamente pelo MMI e pela editora Campo das Letras, e a inauguração da exposição “Rostos da Pesca”.

O MMI tem, no dizer do seu director, áreas de acção a que dá especial atenção, como o sector educativo, com uma progressiva procura por parte das escolas; a preservação “dinâmica e pluralizante de memórias e de identidades marítimas”; a promoção de uma “cultura marítima criativa e inclusiva, não apenas reprodutora dos seus próprios agentes sociais de produção”.

Numa lógica de abertura participada e de construção inclusiva de novas abordagens patrimoniais, Álvaro Garrido referiu que o Museu Marítimo de Ílhavo está a trabalhar num projecto europeu, designado por “Celebração da Cultura Costeira”, com vários parceiros nacionais e estrangeiros, que visa inventariar os patrimónios materiais e imateriais de toda a região lagunar da Ria de Aveiro.