Monjas Descalças da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo

Consagradas na Diocese de Aveiro – 10 A Diocese de Aveiro não se conformava com a ausência das Carmelitas e, após insistentes pedidos de D. Manuel de Almeida Trindade, de grata memória, Bispo de Aveiro, nove filhas de Santa Teresa de Jesus, dos carmelos do Porto e Fátima, vieram para as terras da Ria.

Corria o ano de 1983, Ano Santo da Redenção, por isso optámos por eleger Cristo Redentor para titular do Carmelo. Escolhemos também para refundar o Carmelo em Aveiro a Solenidade de Cristo Rei, a 23 de Novembro. Nesse Domingo chuvoso, pelas 10h, acompanhadas pelo nosso superior provincial, Padre Jeremias Carlos Vechina, e outros sacerdotes carmelitas, fomos solenemente recebidas na Igreja das Carmelitas, do antigo Convento de S. João Evangelista, por D. Manuel de Almeida Trindade e pelo seu coadjutor, D. António Baltasar Marcelino, vários sacerdotes e bastantes fiéis, que acorreram a esta Igreja para nos darem as boas-vindas. Dali fomos convidadas a seguir para a Casa de Santa Zita, onde foi servido um bom almoço preparado pelas religiosas da Diocese. No fim da refeição, D. Manuel providenciou a apresentação dos religiosos/as a trabalhar na Diocese. Foram momentos de intercâmbio e convívio muito agradáveis. Às 15h, na Sé, celebrou-se a Eucaristia da solenidade de Cristo Rei, com a presença de quase todos os sacerdotes da Diocese, alguns carmelitas e outros sacerdotes amigos que nos quiseram acompanhar. Sentimos aqui pulsar pela primeira vez o coração da Igreja diocesana.

No fim da Eucaristia, seguimos para a Igreja de Eirol, onde fomos também acolhidas com muito carinho por aquele povo, que nos acompanhou com o Santíssimo em solene procissão para a residência paroquial, que durante sete anos nos serviu de habitação. Conservamos grande estima e amizade por aquela gente boa e no nosso coração continuamos a lembrá-la com gratidão ao Senhor.

Em Eirol, emitiram seus votos solenes as nossas irmãs Conceição de Maria Imaculada, a Maria Adelina e Maria de Lourdes. Celebrou também aqui as suas bodas de ouro de profissão religiosa a nossa Ir. Maria Rafael de S. José, que já faleceu.

Depois de várias dificuldades para encontrar local apropriado para a construção do Convento, conseguiu-se um terreno, graças ao P.e José Félix de Almeida. Era então prior de S. Bernardo. A ele sempre ficaremos muito agradecidas, pois também acompanhou toda a construção do edifício, sempre zeloso pelo nosso bem. A primeira pedra foi benzida no dia 1 de Maio de 1986, em S. Bernardo, na Rua de Nossa Senhora da Saúde, por D. Manuel de Almeida Trindade.

As dificuldades monetárias e outras surgiram também nesta obra. O Senhor D. Manuel passou a bispo emérito em Janeiro de 1988. Coube a D. António Marcelino a responsabilidade da construção. Mobilizou toda a Diocese, escrevendo semanalmente a coluna no Correio do Vouga “Vamos construir o Convento,”onde eram anunciadas as ajudas recebidas da Diocese, de outras partes do país e do estrangeiro, particularmente da Diocese de Colónia, que pagou pontualmente um terço das facturas e ofereceu o altar, alfaias e vitrais da Capela.

No dia 3 de Fevereiro de 1991, foi solenemente inaugurado o Carmelo de Cristo Redentor. D. António Marcelino, que nesse dia do “Consagrado”, da parte da manhã, fez neste Carmelo uma reflexão aos consagrados, pelas 15h presidiu à bênção do Convento e à solene Eucaristia. Foi para nós um dia mais do que memorável!

Se alguém quiser saber mais alguns pormenores tanto do antigo Carmelo como do actual remetemos para o livro de um dos grandes amigos do Carmelo, o P.e José Martins Belinquete, “As Carmelitas em Aveiro ontem e hoje”.

Resta-nos dizer que recordamos com muita gratidão D. Manuel de Almeida Trindade, D. António Marcelino e todos quantos nos ajudaram e ajudam. Seria muito longa essa lista, mas no Coração de Deus está completa e recompensará cem por um.

Em 2008 celebrámos o jubileu dos 25 anos da nossa vinda para Aveiro. D. António Francisco dedicou a este acontecimento um ano celebrativo!

A Comunidade compõe-se hoje de 17 irmãs professas, que na sua fragilidade humana querem responder à nobre missão que receberam de Santa Teresa, que nos deixou escrito a respeito de ajudar os Sacerdotes: “Volto ao fim principal para que o Senhor nos juntou nesta casa: procuremos ser tais que valham as nossas orações para ajudar estes servos de Deus…”(CP. III,2) “Por exigência do carisma teresiano, a oração, a consagração e todas as energias duma carmelita descalça devem estar orientadas para a salvação das almas” e o “serviço da Igreja”(Constituições) especialmente, no nosso caso, pela Igreja particular de Aveiro.

Irmãs do Carmelo de Cristo Redentor