Colaboração dos Leitores Nunca como nos tempos que correm a vida humana teve tão baixa cotação por parte de pessoas, governos e instituições. Basta pensar no que se passou entre nós: um referendo disse «não» ao aborto, mas quando alguém deteve o poder absoluto, fez repetir o referendo que acabou por ditar o «sim». Não quero fazer juízos de intenção, mas penso que se não fosse à segunda, andaríamos a fazer referendos até acertar no que defendem aqueles que se julgam «senhores da «vida».
O aborto começou por ser legalizado só em casos de excepção e agora é o que se sabe, mesmo entre nós; a eutanásia começa a ver as malhas muito largas, em nome de uma falsa compaixão que não passa de um refinado egoísmo, nuns casos, ou de interesses materiais noutros. Para cúmulo defende-se, agora, o testamento vital.
É preciso saber discernir o que são valores e o que são contra-valores. Os pró-aborto consideram-no um bem; os pró-eutanásia consideram-se pessoas «sensíveis e de muito bom coração».
Quando se fala actualmente de opções sobre a vida e a morte, parece que se está a falar da compra de um vestido, da troca de um carro ou de um emprego. Ora nós, os seres humanos, somos muito influenciáveis, a começar pela publicidade que nos bombardeia a todo o instante, a ponto de nos levar a comprar ou usar aquilo que nunca nos tinha passado pela cabeça.
O aborto ou a eutanásia são geralmente adoptados em momentos de crise, sendo essas decisões subjectivas e enganosas, mas dramaticamente irreversíveis – uma vez postas em prática não se pode voltar atrás.
Legalizou-se o aborto; caminha-se para a legalização da eutanásia e onde iremos parar por este andar?
O aborto é a solução de uma situação que não se quer assumir; a eutanásia é a solução encontrada para benefício de alguns.
As pessoas estão cada vez mais vulneráveis pois está a perder-se, a ritmo acelerado, a fé religiosa, o amor familiar e a amizade. O que impera é o egoísmo e o materialismo.
Os pais devem ser os primeiros educadores da fé dos seus filhos e disso não podem nem devem abdicar, mas os nossos Bispos alertam os pais, e muito bem, para a matricula dos seus filhos na disciplina de Educação Moral e Religiosa, mesmo no ensino estatal. Não faz sentido que sejam sábios em ciências profanas e analfabetos em ciências religiosas.
Maria Fernanda Barroca
