Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado (1907-2005) A Irmã Lúcia era a testemunha viva das aparições que fizeram de Fátima o “Altar do Mundo”. Os relatos que escreveu das aparições de Nossa Senhora, os “segredos” revelados pela “Virgem vestida de branco” e a vida em clausura daquela que vira e dialogara com Nossa Senhora em muito contribuíram para transformar a Cova da Iria num local de expressão de fé, num espaço de sintonia com o transcendente, num destino de diferenciadas peregrinações e de todo o mundo.
A 22 de Março próximo, Lúcia de Jesus dos Santos cumpriria 98 anos de idade. Morreu no domingo, 13 de Fevereiro de 2005. A sua médica – relatou D. Albino Cleto à Agência Ecclesia – encontrou a causa da morte da Irmã Lúcia na “debilidade própria dos 97 anos”. A dificuldade em ingerir alimentos au-mentou, sendo quase total na última semana.
Lúcia de Jesus dos Santos (nome de baptismo) nasceu a 22 de Março de 1907, no lugar de Aljustrel, próximo de Fátima. Aos 10 anos foi um dos três Pastorinhos a ter visto, pela primeira vez, Nossa Senhora na Cova da Iria. Estava com dois primos, Jacinta e Francisco Marto, que morreram pouco tempo após o ano das aparições: no próximo dia 20, assinala-se o 85.º aniversário da morte de Jacinta, e Francisco faleceu a 4 de Abril de 1914. Ambos já foram beatificados pelo Papa e corre para o fim o processo de Canonização.
Nossa Senhora disse, numa das aparições, que a mais velha dos videntes ficaria neste mundo “mais algum tempo”. Em 17 de Junho de 1921, a Irmã Lúcia entrou, como aluna, no colégio das Irmãs Doroteias, em Vilar, Porto. Decidida a ser religiosa doroteia, iniciou o postulantado, em Pontevedra (Espanha), em 1925.
No dia 2 de Outubro de 1926 deu início ao noviciado em Tuy. Professou no dia 3 de Outubro de 1928, em Tuy, e ali permaneceu uns anos.
Em 1934, voltou para a comunidade de Pontevedra. Em 1937 voltou de novo para a comunidade de Tuy.
Em 1946 regressou a Portugal para ser integrada na Casa do Sardão, em Vila Nova de Gaia. Em 25 de Março de 1948, entrou para o Car-melo de Santa Teresa em Coimbra.
Em 13 de Maio de 1948, tomou o hábito de Carmelita e professou em 31 de Maio de 1949.
Voltou a Fátima a 13 de Maio de 1967, no Cinquentenário das Aparições, a pedido do Papa Paulo VI, e nas três peregrinações do Papa João Paulo II (1982, 1991, 2000).
Por ordem do Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, Lúcia escreveu as suas Memórias: Primeira Memória, em Dezembro de 1935 (sobre a Jacinta); Segunda Memória, em 21 de Novembro de 1937 (Aparições do Anjo-Imaculado. Coração de Maria); Terceira Memória, em 31 de Agosto de 1941 (as 2 partes do segredo: visão do Inferno e devoção ao Imaculado.Coração de Maria); Quarta Memória, em 8 de Dezembro de 1941 (sobre o Francisco e descrição pormenorizada das Aparições do Anjo e de Nossa Senhora).
A pedido do Reitor do Santuário, Mons. Luciano Guerra, a Irmã Lúcia escreve outras duas memórias (sobre o pai e sobre a mãe).
Através destas memórias, ficamos a saber que foi ela a interlocutora com a Virgem, tendo assumido como missão divulgar a sua mensagem. Nossa Senhora voltou a aparecer-lhe, pedindo que concretizasse os seus pedidos, em 26 de Agosto de 1923, no Asilo de Vilar, no Porto; a 10 de Dezembro de 1925, em Pontevedra, Espanha,(revelação dos primeiros sábados); a 13 de Junho de 1929, em Tuy, Espanha (Nossa Senhora pede a consagração da Rússia); em fins de Dezembro de 1927, a Irmã Lúcia escreve a descrição da Aparição do Menino Jesus, que teve lugar em Pontevedra, no dia 15 de Fevereiro de 1926.
A Irmã Lúcia insistiu, durante anos, junto dos Papas Pio XI, Pio XII, João XXIII e Paulo VI, pedindo que fizesse a consagração do Mundo e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.
O funeral da Irmã Lúcia realizou-se às 16 horas do dia 15, na Sé Nova de Coimbra.
Paulo Rocha/Ecclesia
