Revista Igreja Aveirense Comissão Diocesana
da Cultura
Julho / Dezembro de 2009
Ano V, n.º 2
A saída de mais um número da revista bianual “Igreja Aveirense” é sempre um acontecimento. Por ela temos acesso a mensagens e eventos que de alguma forma já obtiveram eco nas páginas deste jornal – são exemplo disso as Mensagens e Comunicados, Homilias e Catequeses, Nomeações e Decretos do Bispo de Aveiro, D. António Francisco (páginas 15-75), bem como notícias de Serviços, Movimentos e Publicações. Mas há um conjunto largo de textos que representam novidade. Se a revista já tinha interesse por ser um depósito de documentos para referência futura menos efémero do que as páginas de um jornal, vê o seu valor aumentado por incluir textos que não cabem num jornal diocesano ou que integram secções próprias da revista, como é o caso de “Pessoas Notáveis”.
Neste número, destaquem-se as seguintes “novidades”:
* Mensagem de D. António Francisco dos Santos, enquanto presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, na abertura do Simpósio do Clero de Portugal, em Setembro de 2009, que teve como lema a frase paulina “Reaviva o dom que está em ti”. O Bispo de Aveiro afirma: “A graça de Deus e o nosso ministério devem ser para o povo cristão e para o mundo fonte de alegria e de esperança. Quando nos colocamos diante de Deus e nos deixamos modelar espiritualmente pela presença activa e contemplativa da sua graça, quando olhamos o caminho percorrido, mesmo que muitas vezes seja sofrido e desgastante, quando procuramos forças para o caminho que se desenha no horizonte, quando fazemos memória vida de tantas vidas de sacerdotes cujos traços de dádiva em nós cinzelaram marcas de fidelidade e de bênção, não há lugar para a exaltação mas nascem espaços de encanto, de alegria e de esperança no futuro”.
* De D. António Marcelino recolhem-se três textos: uma comunicação na jornada nacional dos diáconos permanentes; outra no encontro nacional da Pastoral da Saúde e mais uma sobre “família e outros valores na actualidade” ao Rotary Club de Oliveira do Bairro. Aos diáconos permanentes, para aprofundar o exercício do ministério, o Bispo Emérito fez um diagnóstico da Igreja e da sociedade em 33 pontos (de “menos padres e mais idosos e doentes” a “política cada vez mais vazia de ideologia e transformada em prática de imediatismo tapa-buracos e favorecedora de interesses de grupos”, passando pelo “menosprezo pelas normais morais que a Igreja propõe e defende como evangélicas”). Extenso mas certeiro.
Aos rotários de Oliveira do Bairro, D. António Marcelino falou do fim da família tradicional, da “perda de sentido dos outros e dos seus direitos”, do “clima de mentira e violência que penetrou em todo o lado”, da crise do “valor tradicional da vizinhança solidária, do amor ao trabalho, da fidelidade à palavra dada”, para apontar algumas saídas possíveis. Uma delas: “É no campo da educação das novas gerações que tudo se joga. Mas os educadores, pais professores e outros agentes, têm de saber como educar e em que contexto a educação se exerce”.
* Refira-se, por último, que a pessoa notável deste número é Filipe Rocha (1933-1996), natural de Calvão, padre e doutor, professor da Universidade de Aveiro. Homenageiam-no textos de Jorge Arroteia (Universidade de Aveiro) e Manuel Ferreira Patrício (Universidade de Évora).
J.P.F.
