Uma pedrada por semana Relatórios dos órgãos internacionais que apreciam situações concretas nos diversos países do mundo dizem, agora, como é o caso da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), que Portugal, membro da OCDE (Organização apara Cooperação e Desenvolvimento Económico), só cumpre quatro dos dez parâmetros, considerados como mínimos, para a protecção legal das crianças da primeira infância, ou seja, dos 0 aos 5 anos. Se o nosso país tem boa apresentação em quatro áreas, onde se realça a formação dos educadores e funcionários que trabalham nas estruturas ao serviço das crianças, como, também, o facto de 80% das crianças ter acesso ao pré-escolar, já é menos louvável o que se refere à licença parental para cuidar dos filhos nestas idades, à pobreza infantil e aos cuidados essenciais de saúde.
Conclui-se que, sendo indiscutível o caminho já andado nas últimas décadas, ainda resta muito para andar, o que, na caso, por sua natureza e pelo que pressupõe, tem a ver com a acção e as políticas do governo.
Mas o cuidado das crianças e o seu mundo não se esgotam nas leis que as protegem. Vemos, com preocupação, a degradação da família, espaço natural da educação, com valores e critérios, dos afectos e lugar da primeira
aprendizagem de vida em grupo e de inserção social. A estes aspectos prestam menos atenção as instâncias internacionais e, quando prestam alguma, nem sempre é um contributo válido para a sua humanização.
Não é fácil a missão educativa dos pais, mas esta merece nova pedrada para mexer as águas e acordar as consciências.
