No rés-do-chão fica o Salão de Chá. O novo Museu é ponto de partida para mais 28 locais de Arte Nova.
No dia 3 de março foi oficialmente inaugurado o Museu Arte Nova e a Casa de Chá, que ocupam o restaurado e renovado edifício que serviu de moradia da família do Major Mário Pessoa, situado no Rossio, em Aveiro.
No piso térreo do museu situa-se o Salão de Chá Arte Nova, um espaço que recria o ambiente das casas de chá do início do século XX, não só em termos decorativos, mas também sensitivos, com provas de diversas infusões e de chás com aromas e gostos diferenciados ao som de música de uma pianola da época.
No piso intermédio encontra-se um pequeno auditório e o “laboratório de ideias”, um espaço de exposições temporárias e de atividades diversas que pretende desafiar o visitante a descobrir as várias facetas do movimento Arte Nova. Finalmente, no piso superior, há lugar para a apresentação de louças, equipamentos, documentos e outros objetos representativos do período Arte Nova, havendo ainda um espaço para residência de investigação interdisciplinar sobre esse período.
O mais novo museu aveirense é o ponto de partida para uma visita a outos locais “Arte nova” existentes na cidade, num total de 28 edifícios com elementos daquele estilo artístico, os quais estão, desde julho de 2009, devidamente identificados com sinalética específica.
“Mistério” em torno
da origem do edifício
A par da sua exuberância decorativa e arquitetónica, o edifício que serviu de residência à família Pessoa tem muito de “misterioso” e de “insólito”. Apesar de ser o mais emblemático edifício “Arte Nova” de Aveiro, há dúvidas sobre o autor do seu projeto, que poderá ser Silva Rocha, Ernesto Korrodi, ou ambos, bem como se o edifício foi construído de raiz ou se foi uma ampliação e remodelação de um imóvel (ou de um antigo armazém) construído no século XIX. Mesmo a data em que teve início a sua construção é incerta, podendo ser 1904. Inicialmente, o edifício era de dois pisos, mas quando foi aumentado para três, o segundo piso foi totalmente desmontado e, após a construção do atual segundo piso, voltou a ser colocado novamente, passando a ser o atual piso superior, o que é um facto insólito na arquitetura aveirense.
Na visita inaugural do Museu Arte Nova, João Sarabando, arquiteto responsável pela reabilitação, recuperação e renovação do edifício, realçou todo esse “mistério”, mostrando-se disponível para, em momento oportuno, desvendar um pouco mais da investigação que está a realizar sobre o tema.
João Sarabando afirmou que o rés-do chão e o primeiro andar mantem praticamente as linhas originais, incluindo cores, madeiras e azulejos. Já no piso superior, o arquiteto reconhece que deixou lá a sua “moedinha”, mas de uma forma quase impercetível.
Cardoso Ferreira
