O Museu de Aveiro reabriu ao público, no passado dia 18, as principais salas de exposição permanente, após as obras que se prolongaram por mais de dois anos e meio, e nas quais foram investidos mais de cinco milhões de euros.
Apesar das obras terem decorrido faseadamente em todo o edifício, incluindo a parte monumental, o museu esteve sempre aberto ao público, excepto nas duas últimas semanas, durante as quais as colecções permanentes foram colocadas nos seus lugares definitivos e se procedeu à reorganização do circuito de visitas, que agora tem início na entrada lateral da fachada principal (extremo oposto da entrada da Igreja de Jesus) e não na porta central.
Na cerimónia de inauguração presidida pela Secretária de Estado da Cultura, Maria Paula Santos, a directora do Museu de Aveiro sublinhou que agora reabria ao público a “espinha dorsal das exposições permanentes”, que inclui a colecção de arte sacra (dos séculos XV ao XIX) e da iconografia de Santa Joana, ficando para breve a abertura das salas de ourivesaria, têxteis e documentação gráfica, bem como as novas valências com que o museu foi dotado, nomeadamente a biblioteca, a sala de exposições temporárias e a cafetaria.
Se a obra física está praticamente concluída, Ana Margarida Ferreira considera que agora é prioritário zelar pelo monumento e cuidar das colecções. Esta última tarefa “é uma empreitada para anos”, afirma. A conservação e o restauro das colecções é um trabalho demorado, minucioso e caro, ainda que o museu conte com a colaboração de voluntários e com o precioso apoio financeiro (e não só) dos mecenas, que estão identificados junto às peças que patrocinaram.Com a conclusão das obras, a directora do Museu de Aveiro tem esperança de que o grupo de amigos do museu seja reactivado.
O presidente do Instituto Português dos Museus e da Conservação, Manuel Bairrão Oleiro, sublinhou que as obras actualmente em curso em diversos museus nacionais, entre os quais o de Aveiro, visam criar melhores condições para o público, bem como melhorar os respectivos serviços educativos e diversificar a oferta expositiva. Isso a par da melhoria das condições das colecções e da sua salvaguarda, permitindo mesmo a criação de pequenas oficinas de restauro em alguns museus.
Reconhecendo que “intervir no património não é fazer obra nova”, Manuel Bairrão Oleiro mostrou-se bastante satisfeito com a intervenção efectuada no Museu de Aveiro. O projecto do arquitecto Alcino Soutinho “confere uma outra identidade” ao museu, o que é bem visível no seu aspecto exterior. “O Museu de Aveiro é um museu de que a cidade de Aveiro se poderá orgulhar”, frisou.
O presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Élio Maia, recordou que “o que aqui está a acontecer é o resultado do trabalho feito durante muitos anos pela Igreja Católica”, uma vez que o edifício do Museu de Aveiro foi um antigo convento.
A Secretária de Estado da Cultura, por seu turno, considerou que o património tem um papel relevante no desenvolvimento e planeamento do território, estando convicta de que o renovado Museu de Aveiro “vai ser extremamente importante”.
A governante mostrou-se bastante bem informada sobre as obras realizadas no museu. Visitara o local há cerca de três semanas. Também na manhã do dia 18 de Dezembro, Maria Paula Santos esteve também no Arquivo Distrital de Aveiro.
