Museu Marítimo de Ílhavo recebe colecção

Do Comandante António Marques da Silva O Museu Marítimo de Ílhavo acolhe e expõe, desde o passado sábado, a colecção de temática marítima pertencente ao comandante António Marques da Silva, cujo espólio detalhado consta do catálogo “Colecção Capitão Marques da Silva”, editado pela Câmara Municipal de Ílhavo com o apoio da Associação dos Amigos do Museu.

O protocolo de depósito vigora pelo prazo de cinco anos, renovável por iguais períodos de tempo.

A colecção integra diversas miniaturas, feitas à escala pelo próprio Marques da Silva, bem como desenhos e plantas de embarcações, e ainda peças e equipamentos recolhidos em navios antigos.

Depois de reconhecer que a cedência (por depósito) desta colecção é mais um acto de reconhecimento da importância do MMI ao nível da cultura e do património marítimo em Portugal, o director do museu ilhavense, Álvaro Garrido, considerou que “o significado principal do depósito desta colecção é a generosidade do senhor comandante Marques da Silva e a confiança que ele depositou no museu, através da Associação dos Amigos do Museu, que teve um papel determinante neste depósito, para confiar uma colecção de natureza particular a uma instituição de natureza pública”.

Para Álvaro Garrido, “esta filiação de colecções particulares em museus de natureza pública é uma questão fundamental para o crescimento qualitativo dos museus. É importante salientar que esta colecção, constituída essencialmente por modelos de embarcações da pesca longínqua, tradicionais, pedagógicos, e instrumentos de navegação, além de acessórios de navios e desenhos, vem equilibrar bastante a colecção do museu na sua componente náutica, além de que tem algumas peças absolutamente ímpares em termos de qualidade no que reporta ao modelismo naval. É uma colecção de grande qualidade”.

Esta colecção pode incentivar artesãos e artistas a construírem modelos de outras embarcações, até porque, como reconhece Álvaro Garrido, “hoje, o modelismo naval, ou maquetismo, como alguns autores designam, tem cada vez mais cultores. Isso exprime uma nostalgia do mar, mas também uma grande apetência para a compra e observação / admiração de miniaturas de barcos. Hoje, há muitos artesãos de modelismo naval que se podem inspirar no saber do comandante Marques da Silva, porque ele tem o cuidado de executar alguns modelos de natureza pedagógica, isto é, um dos lados da embarcação tem o cavername à mostra, para se ver a estrutura da construção, e, por outro lado, porque ele próprio tem escrito alguns livros que ensinam a fazer modelismo e que oferecem planos às pessoas, com as respectivas medidas, para que aqueles que se aventurarem a fazer esses modelos os possam fazer”.

O director do MMI diz que “há aqui um sentido de fruição da cultura marítima ao nível do modelismo naval, que é uma artesania cada vez mais cultivada em Portugal e no estrangeiro”.