Gentes da Beira-Mar protestam contra barulhos e distúrbios Nada temos a ver com os bares, mas exigimos que o silêncio da noite nos seja devolvido, para uma melhor qualidade de vida
“O repouso é perturbado de forma continuada, de terça a sexta-feira (dias de trabalho), até às 4.30 da madrugada, pelo barulho feito por grupos de jovens que se deslocam da praça do peixe, onde os bares fecham cerca das 2 horas, para os dois bares existentes no cruzamento da Rua 1º Visconde da Granja com a Rua do Canal de São Roque, que encerram às 4 horas”. E perguntam: “gostaríamos de saber por que motivo, os bares da Praça do Peixe e Canal de S. Roque, separados por apenas 300 metros, têm tal disparidade de horário?” Assim se manifestou uma embaixada de gente da Beira-Mar, na última Assembleia Municipal, num protesto ordeiro, como mandam as regras da cidadania, de que foi porta-voz o médico José Neto.
Depois de recordar ter já o caso sido apresentado noutra Assem-bleia, “pelo nosso legítimo representante, João Barbosa”, José Neto pergunta “por que razão os bares da Praça do Peixe e Canal de do S. Roque, separados por 300 metros, têm tal disparidade de horários?”
Escalpelizando a situação angustiante para muita gente, disse que “nós, residentes nesta zona, também trabalhamos, tal como os outros aveirenses que têm o privilégio de ter o silêncio da noite para descansar, descanso que a nós nos foi retirado e que gostaríamos de o ter de volta”. Acrescentou que “o desrespeito pelo património público” atinge sinais de trânsito, papeleiras e contentores, mas também chega ao património privado, danificando automóveis e paredes. Os vândalos ainda urinam nas caixas de correio e vomitam nas soleiras das portas, sublinhou o porta-voz do povo da Beira-Mar. E acrescentou: “Tudo isto vem acontecendo com grande à-vontade e com a maior das impunidades.”
Ao abordar o problema da segurança, José Neto, referiu que, “ao longo destes tempos tem havido, da parte da PSP, uma total concordância com as nossa queixas e reclamações, mas também nos deixa a imagem da falta de poder e de autoridade para fazer cumprir a lei”. Ainda se lamentaram certas declarações do edil aveirense, nomeadamente quando afirmou que o que se passa na Beira-Mar, durante a noite, “são casos pontuais e que as estatísticas em Aveiro, comparadas com as de outras cidade, ainda são baixas”.
José Neto adiantou nada terem a ver com os bares, mas exigem que “o silêncio da noite nos seja devolvido para uma melhor qualidade de vida. Nós, povo da Beira-Mar, somos pela paz, pelo diálogo e contra qualquer forma de violência, como as milícias populares. Somos um povo educado, respeitador, hospitaleiro e cordial para os outros, mas exigimos dos outros igual comportamento”.
Pela voz do médico aveirense, as pessoas “referem ainda que a grande percentagem da população residente no Bairro da Beira-Mar é dum escalão etário de meia idade e idosa”, pelo que solicitam uma urgente reunião com a Câmara, PSP e representantes do povo da Beira-Mar.
Perante esta agitação, o dr. Alberto Souto disse ao CV haver necessidade de se ter calma e serenidade, pensando, também, que, apesar dos incidentes que têm ocorrido, durante estes seis anos, o balanço é positivo. “Devemos contribuir para acalmar as pessoas e não as enervar mais. É muito difícil conviver com os problemas da insegurança, da falta de repouso, do barulho, mas não podemos genera-lizar e estigmatizar a nossa juventude, dizendo que todos os jovens são desordeiros. É uma pequena minoria e perante estas situações vamos ver se resolvemos essas anomalias, mas com muita calma”.
