Na imprensa

Por mais que o silêncio honre a Deus, o ser humano crente não consegue renunciar à ousadia de pensar, não só para testemunhar as suas convicções, num determinado contexto cultural, mas porque, não podendo crer sem interpretar, o próprio acto de fé é vivido como cogitação (co-agitação). Não podemos renunciar a pensar, a procurar saber como é que é verdade aquilo que acreditamos ser verdade. Sem isso, podemos proclamar, sinceramente, o Credo, mas ficar de cabeça vazia. É uma tarefa sem fim. A fé não é um calmante, é um excitante, um santo desassossego. Crer não é ver. É desejo de ver, é caminho de todas as energias espirituais do ser humano.

Bento Domingues

Público, 12-04-2010

Para a nova inquisição laica nada é suficiente: exigem histericamente que a hierarquia católica admita o que já admitiu, peça as desculpas que já pediu, castigue quem já foi castigado e deixe de reivindicar um foro especial que já não reivindica.

Rui Ramos

Expresso, 11-04-2010

Nem todas as religiões defendem os direitos humanos em absoluto – mas a Igreja Católica do século XXI defende-os.

Inês Pedrosa

Expresso, 11-04-2010

A Igreja é a única instituição a que se assacam responsabilidades pelo acontecido há 100, 500 ou 1500 anos. Os cristãos actuais são criticados pela Inquisição do século XVII, missionação ultramarina desde o século XV, cruzadas dos séculos XI-XIII, até pela política do século V (no recente filme Ágora, de Alejandro Amenábar, 2009). (…) O ataque à Igreja é uma constante histórica. A História muda. A Igreja permanece. Porque ela é Cristo. Dela é a nona bem-aventurança: “Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem” (Mt 5, 11).

João César das Neves

Diário de Notícias, 12-04-2010