A música toca, os pares dançam alegres. Os que não dançam bebem, fumam e conversam. Num canto um grupo discute, animado, os negócios. Ouvem-se pequenas risadas. Numa mesa joga-se o bingo. Nem o capitão sabe, ainda, que o barco se está a afundar. Estamos no início de uma queda. O Acórdão do Tribunal Constitucional de sexta-feira passada é histórico. Marcará provavelmente o início do fim da III República tal como a conhecemos, isto é, com esta Constituição, com o euro, com estes partidos políticos.
Paulo Trigo Pereira
Público, 07-04-2013
Num país em que ninguém parece acreditar na Justiça, na política e nos partidos, é interessante verificar a estrita devoção de tantos às decisões do Tribunal Constitucional, guardião de um documento ideológico e cujos membros resultam de nomeação partidária. Por mim, tudo bem. Mas não é inconsequente o respeito do TC por uma Constituição que desrespeita a realidade.
Alberto Gonçalves
Diário de Notícias, 07-04-2013
Se Portugal quiser ser um país viável, dentro da Zona Euro (ZE), cumprindo as suas obrigações internacionais para com os credores, então é preciso renegociar não só o resgate, mas as iníquas regras do jogo dentro da ZE. Ao fazê-lo, Portugal falará em nome do interesse europeu, e não apenas por si próprio. A pusilanimidade falhou. Chegou a hora de tentar, serenamente, a coragem.
Viriato Soromenho-Marques
Diário de Notícias, 07-04-2013
Seria anacrónico dizer que Jesus era um feminista e inscrevê-lo num movimento nascido nos finais do século XIX. A questão não é essa. Apesar da missão que lhes foi confiada nas narrativas da ressurreição, teima-se em negar às mulheres, por serem mulheres, qualquer papel na Igreja, privilegiando sempre os homens. Não é muito difícil perceber porquê.
Bento Domingues
Público, 07-04-2013
