Convém agora que todos percebam a fase seguinte: o País precisa de trabalho sério, de empresas saudáveis, de muitos sacrifícios e de uma cidadania vigilante. Os governos, melhor dizendo, os políticos, só têm feito tantos e tantos disparates ao longo destes anos porque a sociedade não fiscaliza e, numa apreciável percentagem, até alinhou no regabofe.
João Marcelino
Diário de Notícias, 27-11-2010
Afinal, os cortes dos ordenados na função pública não vão ser para todos. À última hora, o sector empresarial do Estado ganhou um regime de excepção apresentado pelo PS e viabilizado pelo PSD. A tese é a de que não podemos perder os nossos melhores quadros. Mais uma vez, só perdemos a coerência.
Idem
Não foi por acaso que a revelação sobre o uso do preservativo apareceu no mesmo dia em que o Papa impôs o barrete a mais 24 cardeais. No dia seguinte, lembrou-lhes que devem estar sempre junto de Cristo na cruz. Mas cá está! No meio de todo aquele aparato do Vaticano, há aqui uma contradição entre a pompa e a cruz. Há aquele texto do filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, que diz mais ou menos assim: vai Sua Excelência Reverendíssima o Bispo de Copenhaga, revestido de paramentos com filamentos de ouro e um báculo e uma mitra debruados de pedras preciosas, com todo o seu séquito em esplendor, senta-se num cadeirão de prata e dá início à sua homilia sobre a pobreza. E ninguém se ri!…
Anselmo Borges
Diário de Notícias, 27-11-2010
Não há vergonha em ser-se funcionário público. (…) Pode ser um orgulho. Depende de como se funciona. Quando se funciona bem e para bem do público mesmo a contragosto ou por obrigação –, está-se de parabéns. E há muitos que estão.
Miguel Esteves Cardoso
Público, 28-11-2010
