Na sociedade de hoje, há coisas maravilhosas

“Perceber a defificência, viver com eficiência – SER PESSOA” Na sociedade de hoje, há coisas maravilhosas e é muito importante que não nos deixemos apanhar pelas dificuldades ou pelo negativo”, afirmou D. António Marcelino, no sábado, no CUFC, no encontro organizado pela Fundação SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO para debater o tema “Perceber a deficiência, viver com eficiência – SER PESSOA” e que contou com a participação de algumas dezenas de pessoas envolvidas nesta problemática.

Reconhecendo que no mundo actual se estão a enraizar convicções que nos podem levar muito longe, como a sensibilidade aos problemas do ambiente e às pessoas com deficiência, que no seu tempo de jovem “eram escondidas”, o nosso Bispo frisou que há muitas situações de exclusão. Alertou ainda para “a igualdade radical de todos nós como pessoas”, verdade que ajuda a dar passos em frente, na certeza de que nenhum encontro de reflexão “é conclusivo”.

Para o presidente da Fundação SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO, padre Georgino Rocha, que abriu os trabalhos que se estenderam por toda a manhã, com intervenções do Dr. Rogério Cação e das Dr.as Marília Rua e Dina Rego, nossa colaboradora, é urgente implementar um novo estatuto que respeite o princípio de que o indivíduo com deficiência é um “cidadão de pleno direito, agente e protagonista responsável, dentro das suas capacidades, da própria vida, membro solidário da comunidade onde naturalmente se insere, oferecendo o que pode e recebendo o que necessita”.

Rogério Cação, director técnico do Centro de Reabilitação Profissional da FENACERCI, apresentou o tema de fundo que serviu de ponto de partida para a reflexão e debate, tendo sublinhado que não podemos ter “uma visão piedosa e miserabilista do deficiente”, já que “a regra social não é a igualdade, mas a diferença”. No entanto, afirmou que, neste mundo global em que vivemos, “há pessoas que têm desvantagens acrescidas e que precisam realmente de apoios especiais”.

Defendendo que “há excluídos porque há excluidores”, Rogério Cação lembrou que “não há reabilitação de quem nunca esteve habilitado”, pelo que o importante é apoiar as pessoas a desempenharem funções, “tendo em conta as suas naturais limitações”.

O responsável técnico da FENACERCI esclareceu que a ética não é um conjunto de proibições, mas a aplicação prática do nosso juízo moral no dia-a-dia e nas opções que tomamos. Nessa linha, referiu que urge apostar em profissionais inquietos, que vivam a doação e a valorização em busca de conhecimentos.

Considerou que exagera-mos no discurso dos direitos, esquecendo os deveres, acrescentando que as pessoas com deficiência são cidadãos de corpo inteiro. E no trabalho com os que precisam de auxílios especiais, recordou que temos de respeitar a sua individualidade, valorizando as suas competências, com imparcialidade e disponibilidade.

Disse que é preciso que os profissionais desta área saibam “ouvir mais e falar menos” nas relações com os deficientes, pondo em prática, contudo, a solidariedade, a partilha, a frontalidade, a dedicação e a lealdade para com as instituições que servem. Mas também salientou a necessidade de serem criativos e de darem oportunidades de participação às pessoas com deficiência e às outras.

F.M.