Não custa nada!

Olho de lince O miúdo erguia-se em bicos de pés, procurando aumentar a sua altura, em inusitado esforço para abrir a porta do fundo da igreja Matriz. Mas era trabalho em vão. Não lhe sobravam medidas para levantar o trinco. E o infrutífero labor prolongava-se, numa angústia crescente.

Apesar da concentração com que se vivia aquele momento da celebração, alguém percebeu a aflição do garoto. Uma jovem, discretamente, deu meia volta, mais dois passos, e soltou em liberdade o pequerrucho, que havia de regressar ao templo, aliviado, escassos minutos após.

Não custou nada! Um gesto tão simples libertou do susto uma criança. Não se incomodou ninguém, não se perturbou a celebração… E fez-se uma boa acção, seguramente muito apreciada pelo beneficiário.

Quantas vezes o próximo está a meia volta e dois passos de mim! Quantas vezes a sua necessidade não me exige mais esforço do que abrir uma porta, que, às vezes, se escancara apenas com uma palavra amiga! Basta que esteja no ar a minha atenção e disponível o meu coração.

Q.S.