O seu nome de psicólogo e pedagogo granjeou notável reconhecimento de autoridade e justificada popularidade. É nessa qualidade que me inspiro em algumas declarações suas recentes, a propósito da insegurança dos educadores, face a comportamentos turbulentos, e mesmo agressivos, dos mais novos.
“Para já, dizer muitas vezes: a disciplina é, a seguir ao amor, a base segura onde os mais novos poderão encontrar as linhas de força que garantirão, com pequena margem de erro, um futuro saudável”. Essa é a primeira indicação que dá para se fomentar uma cultura de serena relação na família, na escola, nos grupos sociais… Regras, estrutura firme de educação, mesmo quando possa deixar alguma sensação de frustração nos educandos.
Perante as chantagens que mesmo os mais pequeninos são capazes de inventar, só há uma sadia forma de actuação: não ceder! E, como diz o povo, “É de pequenino que se torce o pepino”, porque quanto mais tarde mais difícil se torna.
Uma atitude educativa reclama esforço e tempo. Até porque a firmeza não pode significar quebra do diálogo. Pelo contrário: apontar alternativas às birras ou caprichos, indiciar processos de reacção que terão maior sucesso “reivindicativo”, valorizar os progressos conseguidos,… é o caminho de verdadeira construção educativa.
Sabemos que muitas famílias, que muitas escolas, que muitos grupos sociais, religiosos, recreativos e culturais têm padrões de valores, que procuram pacientemente tornar progressiva ética de comportamentos. Há, sem dúvida, uma cultura de disciplina, de norma.
Mas não podemos ignorar que, a par destes lampejos de luz, o horizonte educativo nacional se cobre de muitas sombras. Não só porque permeia a opinião pública uma cultura do relativismo, que neutraliza todas as propostas de valores e comportamentos “regrados”, mas também porque muitos agentes educativos são já fruto dessa cultura, isto é, pessoas sem autoridade, por falta de estrutura interior vertebrada.
E também muitas das práticas educativas, em nome de uma desnorteada concepção de liberdade, deixam os educandos completamente à deriva, já que quaisquer balizas de comportamento são consideradas coações e imposições.
Queremos, com certeza, abrir caminhos de felicidade para os mais novos. Teremos maior probabilidade de realizar esse sonho, de lhes dar caminhos de harmonia pessoal e solidariedade social, se persistirmos em lhes comunicar convicções e valores nobres.
