A Árvore de Zaqueu Gestão garantida do dia-a-dia, seja como for o seu dia.
Os negócios andam no melhor? Ou caiu na fossa? Procura casar-se? Doença grave? Quer ser ministro? Já é? Planeamento familiar? Não tem cheta sequer para comer?
Pois não há problema que resista a este Curso Breve de Gestão. O sucesso garantido, por muito bem ou muito mal que lhe corra o dia. É uma receita diariamente infalível.
Talvez preferisse outra coisa, mas o senhor responsável por este curso dá pelo nome de Jesus de Nazaré.
À volta do núcleo duro, aqui vão alguns conteúdos programáticos (por economia de espaço, põe-se tudo no masculino):
1. Não ande preocupado em como sair da fossa ou aumentar o negócio. Isto é, não dê cabo do dia, sempre à volta desse pensamento. (Mateus, o primeiro relator deste curso – já lá vão 2000 anos de sucessos! – usa muito o verbo grego merimnao, com o sentido principal de se deixar encher de preocupações).
2. Relaxe, contemplando o voo das aves, a fauna selvagem, o cheirinho dos campos em flor ou não, as paisagens que mais o encantam. Se gosta de história, lembre, por exemplo, os tempos do rei Salomão, que envelheceu a pensar no melhor palácio, na roupagem mais digna de um rei, na melhor composição poética, em como gerir centenas de concubinas… Ou veja um filme de encher as medidas.
3. Você é que é senhor de si mesmo: não se venda a ninguém – e quanto mais rico ou poderoso for esse alguém, mais preso fica. Já custa ter um só patrão, quanto mais dois. Nota importante: Isto não se aplica, se o patrão ou patrões fizeram este curso com sucesso.
4. Repita: não preocupe o dia todo com coisas como ser o mais sexy, o melhor orador, o mais elegante no clube, o corpo mais bem feitinho em toda a costa portuguesa… Nem quebre a cabeça para ser o melhor chefe, o melhor bispo, o melhor empresário, etc., etc..
5. «Não faça qualquer juízo antes do tempo» (2.ª leitura). Arrisca-se a queimar os fusíveis…
6. Como vê, é o administrador do seu dia. «Ora o que se requer nos administradores é que sejam fiéis» (2.ª leitura). Portanto, não faça batota quanto à regra do curso (há só uma):
7. Tudo o que eu fizer, tudo o que os outros fizerem, melhor ou pior, e às vezes só com boas intenções – todas essas acções devem reflectir uma só preocupação: guiar-se pelo princípio da Justiça. Estou a utilizar a minha fome, o meu dinheiro, o meu prazer, a minha inteligência, a minha doença… como estímulo para mais justiça? Ou faço batota? Procuro facilitar que os outros sejam felizes?
8. Portanto, viva a riqueza ou pobreza como lutador pela justiça. Se tem que pedir esmola, faça desse acto uma denúncia da injustiça e organize-se em grupos que lembrem a justiça e procurem métodos de a concretizar (provérbio inglês: «pouco a pouco, mas infalivelmente, a maré vai subindo»). Se for pessoa de muito poder na sociedade, não perca a maré…
9. O responsável e criador deste curso sabia que a Justiça é a grande «definição» de Deus (ideia já secular, naquele tempo). Também sabia que nenhum projecto humano é consistente se não nos sentimos num ambiente afectuoso. O acolhimento, o entusiasmo e a ternura… não se encontram também na maneira como Deus e Jesus se relacionavam? (evangelho e 1ª leitura).
10. O «jeito» de Deus muitas vezes dá pouco jeito: pertence aos «mistérios de que somos administradores» (2.ª leitura) – não para os resolver, mas «para ser fiel»: NÃO DIGA «NÃO»!
Manuel Alte da Veiga
