Não há felicidade sem reconciliação

40 mil jovens participaram no Encontro Europeu de Jovens em Genebra, promovido pela comunidade ecuménica de Taizé, de 28 de Dezembro de 2007 a 1 de Janeiro de 2008. A grande mensagem foi esta: A plenitude de vida não se alcança sem um coração reconciliado.

Dando continuidade aos Encontros de Zagreb, Milão, Lisboa, Hamburgo, Paris ou Budapeste, o Encontro de Genebra foi uma nova etapa da «Peregrinação de Confiança através da Terra», lançada pelo irmão Roger há mais de 25 anos. Simbolicamente, o encontro acontece na terra natal do fundador da comunidade ecuménica.

As dezenas de milhares de jovens de toda a Europa e também dos outros continentes receberam uma carta do irmão Alois, o sucessor do irmão Roger. Intitulada “Carta de Cochabamba” (escrita na Bolívia durante um recente encontro de jovens latino-americanos animado pela Comunidade de Taizé), serviu de base para a reflexão dos jovens reunidos na região de Genebra.

A “Carta de Cochabamba” centra-se na necessidade e no poder da reconciliação. “É numa comunhão pessoal com o Deus vivo que podemos encontrar forças para lutar com um coração reconciliado. Sem vida interior não poderíamos permanecer firmes nas nossas decisões. Em Deus encontramos a alegria e a esperança de uma plenitude de vida (…). O Evangelho convida-nos a dar o primeiro passo em direcção ao outro, sem termos antecipadamente a garantia de reciprocidade”, lê-se na Carta.

Numa assembleia plenária, o irmão Alois diria: “Reconciliar-se é ir ao encontro do outro, e isso começa no plano das relações pessoais: perseverar para procurar uma comunhão humana com aqueles que nos são mais próximos. Será que não desanimamos demasiado depressa quando há tensões e incompreensões? A felicidade constroi-se com o tempo”.

E porque a reconciliação é para viver no concreto, acrescentaria: “Isto também é válido na sociedade. As comunicações tornam-se cada vez mais fáceis, mas ao mesmo tempo as nossas sociedades humanas são muito compartimentadas. Os paralelismos podem alimentar uma indiferença de uns em relação aos outros. E, com o tempo, criam-se preconceitos e mal-entendidos. Pensemos por exemplo nos imigrantes, tão próximos e contudo tantas vezes tão distantes”.

No final do Encontro, o sucessor do Ir. Roger pediu aos 40 mil jovens que levassem para os seus locais de origem “a bondade e a simplicidade”. “A experiência de uma comunhão além fronteiras, como nestes dias, abre à esperança. Ela conduz-nos mesmo a uma compreensão mais profunda de Deus”, assegurou o Ir. Alois.

O próximo encontro, no final de 2008, será em Bruxelas.

J.P.F./Ecclesia

Como viveste o encontro de Genebra

Ana Raquel Soares

Esgueira, Aveiro

Apesar de já ter ido à Comunidade em Taizé duas vezes, esta foi a primeira vez que participei num Encontro Europeu. O ritmo é diferente, mas a essência é a mesma. As manhãs foram passadas nas paróquias de acolhimento, onde, após a oração da manhã, nos reuníamos em pequenos grupos com jovens de várias nacionalidades para reflectirmos sobre a Carta de Cochabamba e textos bíblicos. As duas orações comunitárias eram os momentos mais importantes do dia. Juntavam-se os cerca de 40 mil jovens no pavilhão Genéve a Palexpo. É de realçar a forma como fomos tão bem acolhidos, quer nas paróquias quer nas famílias.

Miguel Cabral

Glória, Aveiro

Vivi este Encontro Europeu de Genebra com um espírito, sobretudo, de descoberta, já que foi a minha primeira participação num Encontro Europeu. Gostei bastante das orações comunitárias que, mesmo com milhares de pessoas, tiveram momentos de verdadeiro silêncio para reflexão. A partilha sem qualquer tipo de discriminação nos pequenos grupos e tudo o que aprendi pelo programa do encontro e pelos companheiros de viagem também são factores muito positivos. Sem dúvida, uma experiência a repetir.

Um encontro seguido pelos grandes

Que a vossa confiança em Deus possa suscitar em vós a esperança e ajudar-vos a mudar o mundo, fundando-se sobre os valores evangélicos, em particular sobre o perdão, o elemento mais fundamental do amor, uma vez que aquele que perdoa não se deixa ficar preso pela falta cometida, mas abre-se a um novo futuro. Se a paz é o fruto da justiça, ela é-o ainda mais do perdão, que sela verdadeiramente a reconciliação entre aqueles que ontem se desafiavam e se opunham, permitindo-lhes agora retomarem o caminho juntos.

Bento XVI

Precisamos de reconstruir pontes e de nos empenharmos num diálogo intercultural consequente e construtivo, que insista nos valores e nas aspirações comuns.

Como jovens crentes, estais na posição ideal para contribuir para este processo. Futuros responsáveis nos meios onde viveis, podeis sublinhar as crenças fundamentais comuns a todas as grandes tradições religiosas: a compaixão, a solidariedade, o respeito pela vida e a bondade para com os outros. Podeis exortar os membros da vossa geração a tratar os outros como desejam serem eles mesmos tratados.

Ban Ki-Moon, Secretário-Geral das Nações Unidas

É já o trigésimo ano consecutivo que vos juntais, vindos dos quatro cantos do mundo, para celebrar a paz, a justiça e a solidariedade entre os homens.

A procura de reconciliação, de confiança e de amizade que vos mobiliza corresponde bem ao projecto europeu, que também procura promover a unidade entre os Estados e entre os povos do nosso continente, respeitando sempre a sua diversidade.

Alegro-me pelo vosso empenho. O vosso entusiasmo é um sinal de que se pode confiar o nosso planeta às gerações futuras.

Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia