À Luz da Palavra – Ascensão do Senhor Celebramos, hoje, a Solenidade da Ascensão de Jesus. Esta festa litúrgica anuncia-nos que, no final de um caminho percorrido no amor e na doação, está a vida plena e definitiva, em comunhão com Deus. Diz-nos, ainda, que Jesus nos deixou o testemunho e que somos agora nós, seus seguidores e seguidoras, que havemos de continuar a realizar o projecto libertador de Deus.
O evangelho relata-nos as palavras de despedida de Jesus, que determinam a missão dos seus discípulos e discípulas no mundo. Depois de lhes recordar o que está escrito sobre o Messias, declara que a sua tarefa é a de serem testemunhas de tudo isto. E promete-lhes a assistência do Espírito Santo, o Consolador. Depois, “Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao céu”. É deste modo que Lucas, a terminar o seu evangelho, relata o último acontecimento da vida terrestre de Jesus de Nazaré – a sua Ascensão aos céus. E os discípulos “voltaram para Jerusalém com grande alegria”. É de notar que, quando alguém muito querido para nós parte ou morre, o nosso coração se enche de tristeza. Ao contrário, a partida de Jesus deixa os seus amigos cheios de alegria e a louvar a Deus. Isto ocorre, porque Jesus, subindo ao céu, nos deixa outra forma de presença: a do seu Espírito.
Na primeira leitura, repete-se a mensagem essencial desta festa: Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o projecto do Pai, entrou na vida definitiva da comunhão com Deus – a mesma vida que nos espera a todos, os que percorremos o caminho de Jesus. Quanto aos discípulos: eles não podem ficar “a olhar para o céu”, numa passividade alienante, mas têm de ir para o meio dos seus irmãos e irmãs continuar o projecto de Jesus. Esta leitura sacode-nos, também a nós, que muitas vezes nos ficamos por cumprir os nossos deveres religiosos e não nos comprometemos na transformação pessoal e na do mundo, pelo testemunho cristão das bem-aventuranças, pelas quais este mundo há-de ser transfigurado e oferecido ao Pai.
A segunda leitura convida os discípulos e discípulas a terem consciência da esperança a que foram chamados (a vida plena de comunhão com Deus). Devem caminhar ao encontro dessa esperança de mãos dadas com os irmãos e irmãs – membros do mesmo “corpo” – e em comunhão com Cristo, a “cabeça” desse “corpo”. Cristo reside nesse “corpo”. A Ascensão do Senhor, para que fosse glorificado e sentado à direita de Deus Pai, a fim de que tudo o que há nos céus e na terra lhe seja submetido, significa o termo da sua carreira terrestre, o absoluto cumprimento da sua missão. Porém, é urgente que nós, seus discípulos e discípulas, continuemos esta missão até ao fim dos tempos, destemidamente e com muita alegria.
Ascensão do Senhor: Act 1,1-11; Sl 47 (46); Ef 1,17-23; Lc 24,46-53
Deolinda Serralheiro
