Não pudemos calar-nos!

Colaboração dos Leitores “A tarefa fundamental da Igreja de todos os tempos, e particularmente do nosso, é a de dirigir o olhar do homem e orientar a consciência e experiência da humanidade inteira para o mistério de Cristo”. É palavra de João Paulo II, na RM (10), que está na sequência do seu apelo quando foi eleito Papa e se apresentou ao povo reunido na Praça de S. Pedro: “Abri as portas a Cristo!” Queria que a mensagem de Cristo envolvesse o homem em todas dimensões: vida humana, social, política, economia, cultura, ciências,… Mas o apelo e convite do Papa ficaram letra morta para muita gente respon-sável, que está atraiçoando a humanidade. Esta caminha a passos largos para o abismo e a destruição da vida e do sistema ecológico.

A missão universal da Igreja nasce da fé em Jesus Cristo, o único Salvador. “Não há salvação em nenhum outro” (Act 4, 10, 12). “O Verbo é a luz verdadeira que a todo o homem ilumina” (Jo 1, 9). Jesus reconciliou todas s coisas entre si e com Deus. “No mundo moderno há a tendência para reduzir o homem unicamente à sua dimensão horizontal. E o que tem acontecido? Na história da humanidade imenso sangue foi derramado em nome de ideologias e de regimes políticos que quiseram construir uma “humanidade nova”sem Deus. ” (João XXIII MM)

A Igreja é beneficiária e depositária da salvação em favor de toda a humanidade, e tem o direito e a missão de se dirigir livremente a todos os homens como seus destinatários. Ela oferece-lhes o Evangelho, mensagem profética, capaz de corresponder às exigências e aspirações do coração humano: é e será sempre a “Boa Nova”. Os mártires cristãos de todos os tempos, também do nosso, deram e continuam a dar a vida para testemunhar aos homens a fé em Jesus Cristo salvador. “Eu não me envergonho do Evangelho…” (Rm 1, 16). Assim afirmava S. Paulo. O amor pelos outros dá alegria e sentido à nossa vida.

A Igreja, e nela cada cristão, não pode esconder nem guardar para si a riqueza insondável da fé e da salvação. É sua tarefa anuncar a Boa Nova, testemunhar a fé a a vida cristã como um serviço aos irmãos e resposta à vontade de Deus. Entendem-no os missionários e todos aqueles que jogam a vida ao serviço de ajudar os homens a descobrir Deus. Hoje, como ontem, “não podemos calar-nos” (Act 4, 20), como diziam os Apóstolos.

Armando Soares