“Não sabeis quando virá o dono da casa”

À Luz da Palavra – I Domingo do Advento – Ano B Iniciamos, neste fim-de-semana, um novo ano litúrgico, sendo convidados a entrar no Advento. Esse tempo litúrgico é, para nós cristãos, uma oportunidade para fazer memória e reviver aquela espera do povo de Israel por Aquele que lhes trazia a Salvação: a participação mais plena nos planos e projectos de Deus, o sentido da vida humana. Não é voltar ao passado, mas sim reconhecer no presente que também cada um de nós espera encontrar um sentido mais profundo de vida, uma comunhão mais plena com o próprio Deus. É tempo de espera, mas não é uma espera passiva. Jesus já nos falou através da Sua vida e nos deu tudo o que poderíamos esperar. Agora é o nosso tempo de O reconhecer e acolher no nosso coração, na nossa vida, nas nossas famílias, na nossa sociedade… A certeza de que o Senhor veio, continua a vir e virá sempre ao nosso encontro é o que faz deste Tempo um tempo de renovação da nossa esperança.

Neste contexto, a primeira leitura do I Domingo de Advento desperta em nós o desejo profundo de que Deus venha de novo e actue nas nossas vidas. Porque temos a consciência de que nos desviamos do caminho que Jesus nos chamou a percorrer, mas também porque temos a certeza de que Deus é o nosso Pai e nós obra das suas mãos, queremos dizer com o profeta Isaías: “Oh se rasgásseis os céus e descêsseis! Ante a vossa face estremeceriam os montes!” (Is 63, 19). Com estas palavras expressamos o quanto necessitamos da Sua proximidade, do Seu amor que molda e amacia o nosso coração. É Deus quem é capaz de estremecer – e até derrubar – os “montes” do orgulho, do individualismo e do pessimismo que se erguem no nosso viver pessoal e social de cada dia. Por isso, devemos deixar crescer este desejo de Lhe dar espaço na nossa vida, para que Ele possa ter uma palavra a dizer e possa agir em nosso favor, em favor dos que n’Ele esperam.

Na segunda leitura, S. Paulo diz-nos: “Dou graças a Deus, em todo o tempo, a vosso respeito, pela graça divina que vos foi dada em Cristo Jesus. Porque fostes enriquecidos em tudo: em toda a palavra e em todo o conhecimento” (1Cor 1, 4-5). O cristão pode desejar sempre mais a acção de Deus, pois sabe que em Jesus recebe todas as riquezas, ou seja, o que de mais precioso pode ter: o sentido para viver, a força para amar, a coragem para enfrentar as adversidades da vida, a esperança para olhar o futuro… Tudo isso vem da Palavra que escuta, medita, vive e se torna nele conhecimento e sabedoria de Deus. “Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, Nosso Senhor” (1Cor 1, 9). Deixemos que esta certeza de que Deus é fiel, de que Ele também deseja vir ao nosso encontro, nos mova a viver este Tempo com uma atenção mais delicada e firme à Sua Palavra.

No Evangelho, Jesus faz um forte convite a uma vigilância que nos faça reconhecer a Sua presença. É a vigilância de quem sabe que o Dono da Casa nos deu “plenos poderes” para actuar no Seu nome e para cuidar da Casa. É também a vigilância de quem sabe que o Senhor vem e que deseja que Ele nos encontre a viver segundo a Sua proposta de vida. Mas só quem vive atento ao seu interior pode escutar a voz do Senhor e perceber a sua chegada em cada situação. E é com confiança e não com medo, que esperamos e pomos toda a nossa atenção n’Aquele que é fiel, pois nunca nos abandonou e jamais nos abandonará.

Leituras: Is 63, 16b-17.19b, 64, 2b-7; Sal 79, 2ac.3b.15-16.18-19; 1Cor 1, 3-9; Mc 13, 33-37

Filipa Amaro

Fraternidade Missionária Verbum Dei