“Não somos animadores sociais, somos animadores cristãos”

III Efatha reflecte grupos de jovens e papel dos animadores Porque é que depois de 10 anos de catequese sistemática e dos sacramentos que foram recebendo, não temos jovens cristãos? – questão em debate no III Efatha

Sábado foi dia de trabalho e reflexão, para os mais de 30 animadores que se juntaram naquele que foi o III EFATHA organizado pelo SDPJ-Aveiro. Este terceiro encontro de formação, que contou com a orientação do Padre Adelino Guarda (pároco na diocese de Leiria e professor no Instituto de Teologia de Coimbra), foi sobretudo uma reflexão sobre o trabalho dos animadores de grupos de jovens. Ao longo do dia, procurou-se, entre outras coisas, respostas para a pergunta: Porque é que depois de 10 anos de catequese sistemática e dos sacramentos que foram recebendo, não temos jovens cristãos?

De acordo com o Padre Adelino Guarda, os jovens vivem hoje um grave problema de identidade. Com uma adolescência cada vez mais prolongada, os jovens, dizendo saber de tudo; e tendo acesso a tudo, não tem opinião formada e coerente sobre quase nada. O estilo de vida juvenil actual não deixa muita margem para a profundidade das coisas: vive-se um tempo de liberdade aparente, porque, afinal, quem manda e dita tudo é a “moda”. Há um esvaziamento da personalidade: a juventude dificilmente sabe argumentar sobre a sua fé ou outros assuntos, quando a isso é chamada.

Neste contexto, os animadores têm um papel crucial para, enquanto cristãos, motivarem a mudança. O verdadeiro animador deve ter como primeiro princípio a obediência a Deus (o Animador é o Espírito Santo), ser responsável perante Deus. Segundo o professor Adelino Guarda, é fundamental que “os animadores sejam os primeiros a querer ‘ver e encontrar Jesus’, para depois O apresentarem aos seus jovens e cultivarem a paixão por Cristo”. O primeiro passo é ouvir a palavra de Jesus, e contar a sua história; o segundo é dar testemunho, em palavras e acções, do que dizem.

Ser cristão hoje é viver um combate permanente, e, como afirma a Carta aos Efésios, precisamos de nos armar para o bom combate pelo Reino de Deus com as armas da fé, da oração, da palavra, da verdade e da justiça. “Ninguém pode dar o que não tem”, salientou o formador deste dia, que deixou o seguinte aviso: “Os grupos não são para entreter, são para darmos o que temos; e o que temos são muitas vezes tesouros em vasos de barro”.

O próximo EFATHA, a 16 de Abril, será sobre Técnicas de Animação. Contamos contigo!

Catarina Pereira