Nasceu para nós

Poço de Jacob – 61 Chegou o Natal.

Festa desejada por todos os homens, pelo sabor de festa, da família reunida, do gesto de solidariedade, em que os homens se sentem mais próximos.

Festa do presente que se dá e que já era costume no Império Romano na festa de 25 de Dezembro.

Festa dos enfeites, do brilho das lâmpadas que adornam ruas e árvores de Natal.

Festa dos presépios e do Pai Natal que alimenta a fantasia, tão necessária para o nosso crescimento, enquanto crianças. Festa das músicas, do cheiro a casa lavada e da roupa recém-comprada ou que veio no sapatinho da lareira.

Festa de aconchego e amor, festa da consoada e dos doces especiais, diferentes em cada região do mundo, assim como os pratos apetitosos, e os brindes que sabem a Ano Novo.

Também noite em que se sente mais o estar só, abandonado, marginalizado, doente e moribundo. Custa ter de trabalhar nesta noite no turno que nos toca, ou viajar sós por este mundo fora, que não pode parar. Enfim, ninguém fica indiferente ao Natal, seja para rir ou para chorar, também quando a morte nos bate à porta nesta quadra de alegria.

Mas, fundamentalmente, tudo isto acima citado não é coisa alguma de importante comparado com a verdadeira e sublime realidade do Natal. Não se trata de um tempo especial pelas circunstâncias que o envolve. A sua majestade não é específica desta quadra. Ela só existe para no fazer actualizar uma realidade que é ou deveria ser de todos os dias: JESUS VEIO E ESTÁ PARA NÓS!

Alguém uma vez disse: “Que me importa que Ele tenha nascido em Belém se não tivesse nascido para mim…” O Natal só é belo, quer eu ria quer eu chore, se eu entender e descobrir que o seu segredo está no encontro pessoal e íntimo com esse Jesus que Maria e a Igreja me oferecem. Ele é que é a grande realidade que dá sentido a tudo na vida. Natal sem esse encontro é tão vazio como qualquer outro dia do ano vivido sem Deus. Podemos estar rodeados de amigos, ou sós na nossa miséria e solidão, que Ele sempre quer ser presença amiga, amorosa e actuante. Só temos de Lhe abrir o coração e permitir que Ele faça do nosso Natal um momento mais de encontro doce e suave com Ele.

Se perguntassem a Zaqueu qual foi o seu mais belo Natal ele diria que foi naquele Verão quando, do alto do sicómoro, Jesus o chamou. E a Samaritana diria que foi naquela Primavera quando ia ao Poço de Jacob e ali a esperava Jesus. E Pedro diria que foi quando naquela quinta feira-santa o Galo cantou e ele caiu na conta de quanto Jesus era tudo para Ele. E Maria Madalena diria que foi naquele Outono em que Jesus a convidou para segui-Lo. E, para ti, pode ter sido naquele retiro, curso de cristandade, naquele acidente, naquele velório da pessoa amada, naquela pregação, naquele êxito ou fracasso de profissão… ou naquele cruzar de olhares que supôs amor e levou ao casamento ou à ordenação sacerdotal ou à consagração religiosa.

Natal é encontro: Um Menino nos foi dado, um Menino nasceu para nós… e continua a ser assim em cada Missa, em cada leitura da Bíblia, em cada gesto de caridade, em cada circunstância da vida. Se Natal é quando o homem quiser e isso é certo, Deus quer fazer Natal em Ti, fazer nascer e renascer Sua graça e seu amor em ti, cada dia e segundo da tua vida.

Feliz Natal seja a tua existência. E que um dia, com anjos da noite santa de Belém, possamos cantar: Glória a Deus nas alturas…

P.e Vitor Espadilha