Aumento das quotas de pesca e baixa dos combustíveis faz regressar frota portuguesa ao Atlântico Norte No corrente ano, Portugal obteve um significativo aumento das suas quotas de pesca no Atlântico Norte, com destaque para as do bacalhau, e também de algumas outras espécies de importância para a economia portuguesa, de acordo com o resultado do acordo de pesca alcançado no recente Conselho Europeu.
A par desse aumento das quotas naquela zona do Atlântico, assiste-se a uma baixa significativa nos custos dos combustíveis. A conjugação desses dois factores é relevante para o relançamento da frota de pesca longínqua portuguesa, nomeadamente da que está sediada no Porto de Aveiro.
O Grupo Silva Vieira, um dos principais grupos económicos do sector pesqueiro português, com sede na Gafanha da Nazaré, responsável por cerca de 44% das capturas portuguesas de bacalhau, acaba de decidir enviar três navios para os bancos de pesca do Atlântico Norte, embarcações que estavam atracadas desde meados de 2008, devido essencialmente aos elevados custos que os combustíveis atingiram nesse Verão. Agora, com o envio desses três navios, cerca de 170 trabalhadores dos que nessa altura ficaram desempregados, regressam ao trabalho.
Esses três navios são o “Aveirense” e o “Praia de Santa Cruz”, que têm por rumo os mares da Noruega, onde deverão pescar bacalhau, palmeta, red fish e solha, e o “Brites”, que irá para os bancos de pesca ao largo do Canadá.
Cardoso Ferreira
Aumenta da pesca do bacalhau e quebra na do atum
Portugal “viu reforçadas as suas quotas para 2009, nas espécies mais importantes para a economia nacional”, refere uma nota emitida pelo Gabinete do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas.
Segundo essa nota, “os totais admissíveis de capturas (TAC) e a sua distribuição pelos 27 Estados-Membros permitem a Portugal, em 2009, pescar mais 13% de bacalhau da Noruega (2605 toneladas) e 1897 toneladas de bacalhau de Svalbard, mais 22%. Igualmente, no que respeita à pescada, Portugal conseguiu aumentar a sua quota em 15%, face a 2008, para as 2420 toneladas”.
O maior aumento percentual (33%) verificou-se na quota da sarda, seguida das quotas do espadarte no Atlântico Norte (26%), do bacalhau de Svalbard (22%), da pescada (15%) e do bacalhau da Noruega (13%).
A maior quebra percentual ocorreu na quota do atum rabilho (no Atlântico Este e no Mediterrâneo), que atingiu 23%. Seguem-se as quotas do tamboril (- 10%) e do espadarte no Atlântico Sul (-7%).
Em 2009, mantiveram-se iguais a 2008 as quotas do carapau, do badejo, do linguado, da solha e da maruca.
A nota do gabinete de Jaime Silva sublinha ainda que “à margem da negociação das quotas, Portugal foi ainda louvado pela sua actuação contra a pesca ilegal, em particular face ao caso do barco de bandeira panamiana «Red», retido no porto de Aveiro, que foi recentemente incluído na «lista negra» da Comissão de Pescas do Atlântico Norte (NEAFC) e que será passado para um estaleiro em Portugal para abate”.
