Navios baptizados a meses da entrega

O “Lisbonense” e o “Almadense”, ferries para transporte de passageiros e automóveis entre Cacilhas e Terreiro do Paço, são as primeiras obras da renascida Navalria

Os dois ferries da Transtejo que estão a ser construídos na Navalria só vão ser entregues em meados de Julho e no final do Verão, mas já foram bapti-zados na segunda-feira, 24 de Maio. Um chama-se “Lisbonense” e teve como madrinha Ana Paula Vitorino, ex-secretária de Estado dos Transportes e actual deputada pelo Porto. O outro é o “Almadense”, tendo por madrinha Elisa Saloio, administradora da Transtejo. As madrinhas fizeram rebentar a tradicional garrafa de champanhe – tarefa que em ambos os casos só à terceira ou quarta tentativa teve sucesso. Parecia que as garrafas eram mais duras do que o casco metálico.

Os ferries, de 47,5 metros de comprimento e 16 metros de boca, têm capacidade para 360 passageiros sentados e 29 veículos. Vão operar entre Cacilhas (margem esquerda do Tejo) e o Terreiro do Paço (Lisboa). Custam 14 milhões de euros.

João Pintassilgo, presidente do conselho de administração da empresa lisboeta, salientou que as novas embarcações têm motores mais ecológicos, elevadores para pessoas de mobilidade reduzida, visão nocturna para operar em condições de mobilidade reduzida, incluindo nevoeiro, e são mais fáceis de manobrar, permitindo a acostagem em locais de altura diversa. Disse ainda que são peças fundamentais para o “paradigma da mobilidade sustentável”, que não é nem “um chavão” nem um “conceito inconsequente”.

A mesma ideia foi sustentada por Correia da Fonseca, secretário Estado dos Transportes, que realçou que o facto de a Transtejo ter “défices estruturais” (parte dos custos de exploração tem de ser suportado pelo erário público) é compensado pela mobilidade que possibilita, mas também por razões de segurança e pelo factor cultural. Por um lado a empresa faz “ligações de «backup» – são o último recurso, entre margens, se os outros sistemas falharem”. Por outro, as embarcações, principalmente os cacilheiros, “fazem parte da imagem da cidade”. “Impossível ficar sem cacilheiros”, rematou.

A Transtejo, depois da aquisição da Soflusa, em 2001, é a única empresa de transporte de passageiros entre as duas margens do Tejo. Tem 35 navios (ferries, catamarãs e cacilheiros) e emprega 510 pessoas. Por ano transporta 28 milhões de passageiros. Nos últimos anos, segundo Correia da Fonseca, o número de passageiros diminuiu 30 por cento.

Jorge Pires Ferreira

Estaleiros estão a renascer

A construção dos ferries da Transtejo é a primeira grande obra da Navalria, após a aquisição da empresa pelo grupo Martifer, em 2008. António Pontes, presidente do conselho de administração da empresa aveirense, frisou que os estaleiros, “outrora degradados, estão a renascer”. “Estamos a investir em equipamentos, recursos humanos e infra-estruturas”, disse. A empresa tem condições para reparar e construir navios até 100 metros, procurando novas encomendas na Europa e em África, enquanto se prepara para fazer um navio de 80 metros, um “hotel flutuante”, para a Douro Azul.

Nos próximos dois anos, a empresa espera ter uma facturação próxima da actual, que ronda os 13 milhões de euros. Quando foi adquirida, facturava 2,8 milhões. Na altura afirmou-se que a aquisição tinha como objectivo desenvolver tecnologias para captar a energia das ondas. Actualmente, a Navalria tem 85 empregados, mais uma dezena do que na fase de vida anterior, mas nos seus estaleiros operaram diariamente 200 a 250 trabalhadores de empresas subcontratadas.