Bento XVI encontrou-se com uma delegação de rabinos norte-americanos e confirmou a visita à Terra Santa
Bento XVI veio mais uma vez a público defender que o Holocausto é um “capítulo terrível na nossa história que nunca deve ser esquecido”, condenando qualquer tentativa de o negar ou minimizar.
“A Igreja está profunda e irrevogavelmente comprometida em rejeitar todo o anti-semitismo”, assegurou, ao receber no dia 12 de Fevereiro, no Vaticano, uma delegação de rabinos norte-americanos, liderada pelo Rabino da Sinagoga de Nova Iorque, que o Papa visitou no ano passado.
O Papa lembrou que “o ódio e o desprezo pelos homens, mu-lheres e crianças que se manifestou na «Shoah» [holocausto nazi] foi um crime contra Deus e contra a humanidade”.
“Isto deveria ser claro para todos, em especial os que estão na tradição das Sagradas Escrituras, segundo as quais cada ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus”, indicou, numa nova intervenção sobre este tema após as propa-ladas declarações negacionistas do bispo lefebvriano Richard Williamson.
“É inquestionável que qualquer negação ou minimização deste crime terrível é intolerável e, por isso mesmo, inaceitável”, assinalou Bento XVI que recordou a sua intervenção sobre a Shoah, na audiência geral de 28 de Janeiro.
“Recordar é fazer tudo o que está em nosso poder para prevenir qualquer repetição de tal catástrofe, na família humana, construindo pontes de amizade duradoura. É minha fervorosa oração que a memória deste terrível crime fortaleça a nossa determinação em cicatrizar as feridas que durante demasiado tempo macularam as relações entre Cristãos e Judeus”, assinalou.
Aproveitando o facto de esta delegação estar de passagem por Roma, a caminho de Israel, o Papa declarou estar a preparar-se “para visitar Israel, uma terra que é santa tanto para os Cristãos como para os Judeus, uma vez que é ali que se encontram as raízes da nossa fé”.
“Desde os primeiros tempos da Cristianismo, a nossa identidade e cada um dos aspectos da nossa vida e culta sempre estiveram intimamente ligados à antiga religião dos nossos pais na fé”, disse.
Bento XVI reconheceu que “os dois mil anos de história das relações entre Judaísmo e Igreja passaram por muitas fases, algumas das quais é penoso recordar”. Mas “qual é a família que nunca passou por distúrbios e tensões de algum tipo?”, questionou.
“Agora que conseguimos encontrar-nos num espírito de reconciliação, não devemos permitir que as dificuldades do passado nos impeçam de dar uns aos outros a mão estendida da amizade”, pediu, recordando passos importantes na relação com os judeus, como a declaração “Nostra Aetate” (do II Concílio do Vaticano), a oração de João Paulo II junto ao muro das lamentações, em Jerusalém, ou os pronunciamentos do próprio Bento XVI na Alemanha (2005) e em Nova Iorque (2008).
Ag. Ecclesia / C.V.
