Uma pedrada por semana A teimosia de continuar a ver a Igreja com critérios políticos e do tempo que corre e se desvanece corresponde sempre a uma total desadequação, para ver e apreciar este povo singular. Direita, esquerda, centro não dá para explicar ou entender a Igreja de Jesus Cristo, presidida e orientada por homens, mas concretizando um projecto divino.
Os critérios marcam outros rumos, bem mais exigentes e universais. Incarna a Igreja, com coerência, o Evangelho que prega? Defende as pessoas, os ideais de justiça e os direitos humanos fundamentais? É aberta nas relações internas e fiel ao essencial no serviço aos mais pobres e no reconhecimento efectivo da dignidade radical de todos os seus membros, homens e mulheres? É corajosa ao anunciar a libertação e na denúncia dos responsáveis pelos desvios visíveis na sociedade, quando se servem mais a si e aos seus interesses, que ao bem comum de todos os cidadãos? Goza da liberdade interior de quem sente que nada nem ninguém a pode calar ou desviar do seu caminho?
Anda por aqui o juízo público e legítimo da Igreja, do seu viver e do seu agir. O resto é linguagem de quartel ou de política barata, alimentada por gente que se instalou na boca do palco à procura de aplausos, e não sabe ou não quer aproveitar os púlpitos que lhe abrem da comunicação social para iluminar, esclarecer e construir.
A. Marcelino
