À Luz da Palavra – XXXIV Domingo do Tempo Comum – Ano B A coroar o ano litúrgico, celebramos, hoje, a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Jesus, que durante toda a sua vida pública recusou sistematicamente ser aclamado rei, exactamente na hora do seu julgamento, antes de ser condenado à morte, se auto proclama Rei.
Tanto a primeira leitura, tirada da profecia de Daniel, como a segunda leitura, uma perícopa do Apocalipse, corroboram o ensinamento do evangelho, no sentido de que Jesus Cristo é o Senhor do Universo, o princípio e o fim, no qual nos encontramos com o amor salvador de Deus. Ele é “Aquele que é, que era e que há-de vir”, isto é, o Eterno, de onde viemos e para onde nos encaminhamos, pela Verdade.
No evangelho, Pilatos pergunta a Jesus: “Tu és o Rei dos Judeus?”, ao que Ele responde: “É como dizes; sou Rei”. Naquele momento, e diante da autoridade romana, era perigoso para Jesus declarar-se Rei, porque tinha sido este o objecto da sua acusação, por parte dos judeus. Declarar-se Rei era colocar-se em pé de igualdade com o imperador de Roma, que Pilatos representava. Não era conveniente que Jesus fosse, assim, tão directo e tão verdadeiro, pois iria apressar o processo que o conduziria à morte. Porém, o Senhor da glória, apesar de tão fragilizado. opta, mais uma vez, pela verdade da sua Pessoa: “É como dizes; sou Rei”. E acrescenta: “O meu reino não é deste mundo, não é daqui”.
Então, quem é este Rei? É o Rei Verdade, no horizonte do evangelho segundo João. Para isso nasceu e veio ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Na perspectiva bíblica, a noção de verdade funda-se na experiência religiosa do encontro com Deus. No Antigo Testamento, a verdade é, antes de tudo, a fidelidade à Aliança. No Novo Testamento, a verdade torna-se a plenitude da revelação de Deus, centrada em Cristo. Esta é a grande novidade cristã: o próprio Cristo é a Verdade, porque, sendo o Verbo feito carne, traz em si mesmo a plenitude da revelação, dando-nos a conhecer o Pai. Noutra passagem do evangelho de João, Jesus explica o sentido deste título, inserindo-o entre dois outros: o do Caminho e o da Vida. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Ele é o Caminho que conduz ao Pai; precisamente o homem Jesus, enquanto Verdade, transmite-nos em si mesmo a revelação do Pai e, deste modo, comunica-nos a vida divina.
A verdade tem um papel importante na vida do crente. Após o baptismo, o cristão e a cristã hão-de esforçar-se por viver, habitualmente, sob a influência da verdade, que permanece neles para os tornar seres nascido do Espírito. A verdade é o princípio interior da vida moral. Pois que a verdade é a revelação do amor de Deus, Cristo Rei da Verdade convida os cristãos e as cristãs a praticarem o amor fraterno e a tornarem-se cooperadores da verdade. Que lugar ocupam a caridade e a verdade na minha vida?
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo: Dn 7,13-14; Sl 93 (92),1ab.1c-2.5; Ap 1,5-8; Jn 18,33b-37
Deolinda Serralheiro
