A encíclica de Bento XVI Spe Salvi ganha redobrada importância ante a crise que o Mundo atravessa, incluído o nosso “jardim à beira mar plantado”. Importa fazer apelo ao mais profundo de cada ser humano, de cada português, para que se abram janelas de futuro, frestas de luz nas muralhas de pessimismo e escuridão que atormentam uma enorme porção da Humanidade.
“Assim, por um lado, da nossa acção nasce esperança para nós e para os outros; mas, ao mesmo tempo, é a grande esperança apoiada nas promessas de Deus que, tanto nos momentos bons como nos maus, nos dá coragem e orienta o nosso agir” – SS 35. Um período curto; demasiado contundente para ficar esquecido!
É certo que “O reino de Deus é um dom, e por isso mesmo é grande e belo, constituindo a resposta à esperança. Nem podemos – para usar a terminologia clássica – «merecer» o céu com as nossas obras. Este é sempre mais do que aquilo que merecemos, tal como o ser amados nunca é algo de «merecido», mas um dom” – SS 35. Importa devolver ao Mundo a certeza de que este Reino está em germinação, experimenta-se aqui e agora, mobilizando com entusiasmo todas as nossas energias, porque caucionado pela certeza de que “está realizado”.
Conscientes de que não atinge a sua plenitude dentro dos limites da História, mas constitui o dinamismo necessário para que se renovem todas as coisas em crescendo para essa plenitude. Esta é a grande esperança apoiada nas promessas de Deus! E este é o dinamismo que necessitamos, como cristãos, devolver ao espírito de cada homem e mulher dos nossos dias!
Todavia, o Papa adverte-nos de que “da nossa acção nasce a esperança para nós e para os outros”. É que, “com toda a nossa consciência da «mais-valia» do Céu, permanece igualmente verdade que o nosso agir não é indiferente diante de Deus e, portanto, também não o é para o desenrolar da história” – SS 35.
Aqui entra, na situação presente a “fantasia da caridade”. Os cristãos precisam de recriar a sua relação com a natureza, com os bens, com os outros, para encontrarem novas formas de descobrir a função social da posse, voltar ao originário “um só coração e uma só alma”, aprenderem a sobriedade, capazes de viverem na abundância sem desperdiçar e na pobreza com sentido de labuta, de optimismo e de esperança.
O Mundo passa por um Inverno imprevisível, que o faz tremer de frio, do frio da incerteza do amanhã. Se lhe falta a esperança cristã, certamente morrerá congelado no frio do egoísmo. A promessa de Deus é segura; mas é mediada pela acção-missão daqueles que O encontram.
