Na Praça Marquês de Pombal surge um estabelecimento clássico: terceira Buchholz, para servir o livro e o leitor
Abriu no sábado, 28, a livraria Buchholz, no n.º 3 da Praça Marquês de Pombal, em Aveiro. Com uma área de 120 metros quadrados, a Buchholz Aveiro dispõe de um espólio inicial de cerca de vinte mil livros, preferencialmente das edições Cavalo de Ferro, Sá da Costa e Portugália.
Camilo Cruz, responsável pela loja de Aveiro, a terceira da cadeia que pertence à Fundação Agostinho Fernandes (as outras duas localizam-se em Lisboa), salienta que esta livraria não prima pelas novidades, pelo que “não vai concorrer com os outros estabelecimentos da cidade”. Pelo contrário, pode colaborar. “Até podemos fornecer alguns livros do nosso católogo às outras livrarias generalistas”, afirma. Trabalhando no ramo há 28 anos, reconhece que os tempos são de dificuldade, mas acredita no sucesso da Buchholz. “O país está em crise, mas este é um risco que queremos correr. Não podemos dar mais do mesmo”, diz, referindo-se à especificidade da nova livraria, que tem secções de livros antigos, literatura portuguesa, literatura infanto-juvenil, além do espaço dedicado às edições e autores do grupo editorial. Os livros estrangeiros importados serão também um dos pontos fortes.
Na inauguração, José Ribeiro, editor da Portugália (que com a Sá da Costa e a Cavalo de Ferro integra o grupo editorial e livreiro Fundação Agostinho Fernandes), afirmou que, servindo o livro e os leitores, a livraria “resgatará a memória contra o esquecimento”. “O livro não tem prazo de validade como os iogurtes ou os medicamentos, embora sejam um bom remédio”, disse.
Carlos Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Aveiro, na sessão de abertura que contou com a recitação de poemas pelo Grupo Poético de Aveiro, desejou “o maior sucesso” a esta “livraria na acepção clássica” e elogiou o livro como “máquina do tempo” capaz de transportar para outras épocas, como transmissor da “sabedoria entre gerações”, como gerador da “capacidade de sonho”.
Karine Sousa Ferreira, livreira da primeira Buchholz, que se situa actualmente na Duque de Palmela, em Lisboa, recordou que a livraria foi fundada 1943, quando Karl Buchholz fugiu da II Guerra Mundial com as suas pinturas e os seus livros e encontrou refúgio em Lisboa. Em 2004, a Fundação Agostinho Fernandes comprou o estabelecimento e entretanto abriu outro no Chiado.
A Buchholz aveirense estará aberta de segunda a sábado (das 10h às 20h; sextas e sábados até às 23h) e prevê a organização de eventos culturais.
Jorge Pires Ferreira
