Rosa Pinho, do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro e curadora do Herbário da Universidade de Aveiro, revelou que o número de lontras está em franco crescimento na zona da Ria de Aveiro, apontando como uma das razões para isso o aumento significativo de lagostim que, apesar de ser uma espécie “infestante”, é o seu alimento preferencial.
O sistema dunar do litoral aveirense, a Ria de Aveiro e as zonas ribeirinhas são de grande importância para a biodiversidade, tanto faunística como botânica, como afirmou Rosa Pinho, ao realçar que na região de Aveiro há um diversificado conjunto de habitats (dunas costeira, mar, ria, rios, lagos, áreas alagáveis, sapais, caniçais, juncais, zonas de Bocage) que, no seu conjunto, fazem desta região um refúgio de vida selvagem bastante rico em espécies.
Segundo estudos citados por Rosa Pinho, na região foram inventariadas 349 espécies de plantas superiores. Só nas zonas dunares foram encontradas mais de 70 espécies de plantas superiores. A nível faunístico, a diversidade também é grande, como o atestam as mais de 300 as espécies de vertebrados existentes (permanentemente ou de passagem) na região. Só de aves, são mais de 180 espécies, a que se juntam depois as dezenas de espécies de peixes, mamíferos, anfíbios e répteis.
Um terço das águias sapeiras portuguesas estão na zona da Ria de Aveiro, área com significativas colónias de garças vermelhas e de cegonhas. No entanto, são as aves aquáticas, nomeadamente as limícolas, as espécies com maior número de exemplares na região, e que, em determinadas épocas do ano, podem atingir números próximos dos 20 mil exemplares. Só pilritos chegam a ser cerca de onze mil.
Estas afirmações de Rosa Pinho foram proferidas no seminário promovido pelo Curso Ciência na Escola, do Agrupamento de Escolas de Aveiro e da Escola João Afonso de Aveiro, em parceria com a Fundação Ilídio Pinho, no âmbito do projecto “Dinâmica costeira numa perspectiva física, geológica, ambiental e artística”, realizado no edifício da antiga Capitania.
