Filme As críticas do filme “Murderball – Espírito de Combate” dizem que os protagonistas, em grande parte jovens que sofreram acidentes de viação, são “heróis” e “tudo menos aleijadinhos”, “tudo menos coitadinhos”, “tudo menos desgraçadinhos”.
Ir ao cinema para ver docu-mentários está a tornar-se cada vez mais comum por causa de sucessos como “A Marcha dos Pinguins-Imperadores”, “Super Size Me” (sobre um norte-americano que decide passar um mês a comer em McDonalds, para ver o que acontece, e o que acontece não é nada lindo de se ver), ou “Farhneit 9/11” (sobre como os governantes americanos lidaram com o terrorismo no pós-11 de Setembro).
Agora surge, num grande ecrã da região, mais concretamente no Cine Teatro de Estarreja, “Murderball – Espírito de Combate”, um filme-documentário sobre tetraplégicos que jogam “quad rubgy”, ou seja, “quadriplegic rubgy”, rubgy em cadeira de rodas. Nada melhor do que a fúria do rubgy para afirmar a vontade de viver.
As críticas dizem que os protagonistas, em grande parte jovens que sofreram acidentes de viação, são “heróis” e “tudo menos aleijadinhos”, “tudo menos coitadinhos”, “tudo menos desgraçadinhos”. No Público (Y, 9 de Junho), na altura em que o filme estreou, Jorge Mourinha escreveu: “Estavam à espera de um documentário lacrimejante, compreensivo e bem-intencionado? Esqueçam, não é “Murderball”. E se, depois de o verem, continuarem a sentir aquela tão portuguesinha compaixão piedosa e diminutiva pelos coitadinhos dos aleijadinhos, então não perceberam mesmo nada do filme, e estarão a dar razão a uma das figuras que o documentário segue, um antigo jogador que diz que, em Portugal, ter uma deficiência significa não se ir a lado nenhum. Chama-se Joe Soares, é filho de portugueses, emigrou ainda criança para a América, ficou tetraplégico com poliomielite aos nove anos. Nos EUA, tornou-se num jogador fulcral para a ascensão da equipa americana de “quad rugby” ao primeiro lugar do “ranking” mundial e, depois de afastado por motivos de idade, foi treinar a equipa canadiana que se tornou num sério competidor dos americanos. Teria seguido o mesmo percurso em Portugal?”
“Murderball” segue a preparação das equipas americana e canadiana para os paralímpicos de Atenas 2004. A certa altura, diz um dos jogadores: “A nossa mente pode ser a nossa maior deficiência, se a deixar-mos”. Um outro afirma: “Na minha cadeira de rodas, fiz mais do que todo um universo de pessoas que não estão incapacitadas”. Este filme sobre pessoas com vontade de ferro, sem cair num certo tipo de reportagens piegas, é um hino à vida e à liberdade. Inspira.
“Murderball – Espírito de Combate”, no Cine Teatro de Estarreja, dia 28 de Setembro, às 21h30. Integrado no Festarreja. Entrada livre para menores de 30 anos.
