“O Cura d’Ars gritava e exasperava-se nos sermões, mas era de uma doçura extrema na oração mais íntima”, afirmou Carlos Henrique do Carmo Silva na conferência que proferiu para padres e leigos no Centro Social Paroquial da Moita (Anadia), a convite do pároco, P.e Vitor Espadilha. Segundo o conferencista, a figura à sombra da qual é celebrado o Ano Sacerdotal é exemplo para todos os padres, sabendo-se que “os exemplos são como um vidro colorido que deixa passar uma luz, dando-lhe a sua tonalidade, mas a luz é o próprio Jesus Cristo”.
Carmo Silva, professor de Filosofia na Universidade Católica, em Lisboa, realçou que João Maria Vianney, o Cura d’Ars, não sobressaiu por nenhum carisma especial – era pouco dotado intelectualmente, os seus sermões eram feitos à base de bocados de cópias de livros de sermões, não tinha curiosidade por outros temas, corporalmente franzino – mas sim por “virtudes alcançadas”, como a paciência da escuta na confissão (chegava a passar 14 horas no confessionário), a oração silenciosa, o cuidado dos desvalidos, o chamamento à conversão. Essas virtudes é que fizeram dele modelo para os padres. E continuam a ser as qualidades que as pessoas esperam encontrar nos padres.
