O bispo, diocese e igreja universal

Revisitar o Magistério Proclamamos solenemente a nossa fé, para além de outras circunstâncias, em cada domingo do ano. Essa proclamação inclui a profissão de fé na “Igreja una, santa, católica e apostólica”. Todavia, o coração de muitos permanece confinado ao seu mundo, quando muito ao do seu lugar ou paróquia; o espírito de muitos vive com horizontes mesquinhos, dentro de estreitíssimas fronteiras.

É o Bispo que personifica a relação da Igreja que vive em determinado território com a Igreja universal. Na medida em que pastoreia com dedicação, por rectos caminhos, a sua Diocese, contribui “eficazmente para o bem de todo o Corpo místico, que é também o corpo das Igrejas”. Cumpre essa missão promovendo a fé e a disciplina comum, formando os seus diocesanos no amor pela Igreja total, sobretudo pelos mais pobres, sofredores e perseguidos, fomentando as actividades comuns a toda a Igreja (cf. LG 23).

Esbarra esta missão com o “espírito de capelinha”, o bairrismo doentio, atido ao seu campanário, sem qualquer visão da universalidade do coração de Deus, tornando inócuas as afirmações de fé pronunciadas em cada semana. Longo e persistente trabalho se pede ao Bispo, aos presbíteros, a todos os agentes de pastoral, no sentido de mudar mentalidades e comportamentos tão aperreados.

Faz parte da identidade do Bispo esta missão de comunhão – de configuração da Igreja particular e de alargamento Dos seus horizontes à dimensão universal. “Cada Bispo está relacionado simultaneamente com a sua Igreja particular e com a Igreja universal. De facto, o mesmo Bispo, que é princípio e fundamento da unidade na própria Igreja particular, é também o laço visível da comunhão eclesiástica entre a sua Igreja particular e a Igreja universal. Assim, todos os Bispos, residindo nas respectivas Igrejas particulares espalhadas pelo mundo, mas conservando sempre a comunhão hierárquica com a Cabeça do Colégio Episcopal e com o mesmo Colégio, dão consistência à expressão e catolicidade da Igreja e, ao mesmo tempo, conferem à sua Igreja particular esta nota de catolicidade”. (Pastores Gregis 55).

A fidelidade ao homem concreto das nossas terras não pode subtrair-nos à urgência de evangelizar todos os povos, à abertura à riqueza de expressão das Igrejas, à permuta de bens materiais e espirituais, ao solícito cuidado por todos. O Bispo é o pedagogo da catolicidade (universalidade) e o elo vivo e institucional da mesma. A nossa plena comunhão com o Bispo é garantia e expressão da verdade da nossa condição de católicos.

Querubim Silva