O carinho de avô

Olho de Lince Aquela não era a primeira vez que nos cruzávamos na rua. Já trocáramos impressões sobre esta fase interessante que é a idade da reforma, as possibilidades novas que oferece e os riscos inerentes à tentação da inércia.

Entretanto, esta nova ocasião foi diferente. Aquele avô ainda jovem passeava o seu neto no carrinho. E detivemo-nos a reflectir sobre o facto. “Olha, agora descubro o que não dei aos filhos. Na pressa de fazer muito, sempre a inventar trabalhos e mais trabalhos… lá me ia escapulindo deste convívio formidável!”…

Estas e outras expressões lhe foram saindo fluentemente. Pouco mais fiz do que acenar com a cabeça, para dar o meu acordo àquele exame de consciência, não tanto culpabi-lizante, mas feliz, pela alegria de ser útil. Foi mesmo assim que rematou a conversa: “Ao menos, presto-lhes agora uma ajuda, que me não pesa e é bem saborosa. Afinal, ser avô é ser duas vezes pai!”

Cada um seguiu o seu rumo, não sem antes prometer que um dia tocaria à campainha, para conversarmos mais calmamente sobre esta vida que se percorre.

Q.S.