O nosso jornal Então ainda não tinha reparado na Casa Museu Egas Moniz (13)? Na verdade, a gente esquece as coisas mesmo boas que tem. Parece impossível haver portugueses que falem mal desse médico de renome internacional, lá porque ele usou uma técnica de operação ao lobo frontal, na altura a última palavra, mas que hoje se sabe poder ter graves efeitos secundários. Pena é que sejamos indulgentes com muitos «operadores políticos» que nos criaram os piores resultados… Nem em nós próprios temos fé. Não será porque não sabemos ter fé em Deus (24)? Diz bem, é Ele que puxa por nós. Sabe, tenho muita pena de que seja tão desconhecido em Portugal um célebre teólogo moderno alemão (não tem nada a ver com a Ângela), chamado Hans Küng. É um católico que sabe falar a linguagem do nosso tempo, sem frases beatas nem papas na língua. Faz mesmo bem o seu livro «Ser cristão», mas creio que não existe em português! Mas existe na nossa língua um livro sobre o que ele chama «ética global»: aí mostra que todas as religiões se podem unir para aprofundar a fé que nos leva a cultivar os tais valores que dizemos estarem a desaparecer. Também reparou na oração de Teresa de Calcutá? É isso mesmo, «quando me sentir desanimada, manda-me alguém para eu animar…» (24). Mas não são apenas os sacerdotes que devem ser «catecismos abertos» (5). Eu até nem gosto muito da ideia de ser um catecismo… Mas se a gente diz que «anda com Deus», tem que dar exemplo da oração da Madre Teresa. Pelo menos afável como o Senhor Lopes (19)! Palavras lindas não chegam. E o livro do tal teólogo alemão ajuda e bem a fazer com que o nosso compromisso religioso desabroche num mundo em que vale a pena viver. E lá vem a velha questão de não apresentar os conteúdos religiosos desfasados das novas maneiras de sentir (14)! Bom, as últimas décadas não foram muito boas para uma cultura sólida nas escolas, mas o problema não é simples. Mas o «ministro da cultura» do Vaticano também tem muito a aprender…
M.A.V., o Carteiro
(que não distribui o acordo ortográfico)
