De acordo: na semana passada, dei má pintura à Universidade Católica (23). As palavras nem sempre são felizes – mas a realidade também não… Todas as instituições, naturalmente preocupadas com manter ou melhorar a sua posição, dificilmente fogem da teia económica e política das grandes «aranhas». Ao longo da história da Igreja, assim se têm desferido duros golpes contra a liberdade e vitalidade do Evangelho. Esquece-se que o corpo hierárquico da Igreja não é o centro da Igreja mas «o servidor» da Igreja – onde não se deve ter medo de dialogar a sério, sem ninguém se arrogar o título de detentor da verdade. A Igreja não é pois uma instância clerical (24). Só estimulando um pensamento autenticamente humano, é que a Igreja, no seu conjunto, se pode considerar uma «luz das nações» e pode reivindicar o responsável estatuto de «educadora». Será que a «pastoral» é ela também iluminada pelos estudos de honesto arrojo dos centros superiores de educação – cabendo à Universidade católica peculiar atenção a temas profundamente humanos? Ela tem o dever de dar à sociedade líderes clarividentes e qualificados (7).
Não, não é para um falar rebuscado, mas para pensar a partir de factos concretos. É bem de ver que as críticas e denúncias vagas não são caminho (24). E acha que nos podemos contentar com repetir princípios bonitos? Pois claro, acabam por ser vagos e sem sabor. Se dizemos que um político dificilmente sai sem sujar as mãos, fica-nos muito mal não querer fundamentar e explicar essa crítica (por muito que esteja de acordo com o sentimento geral…). Por isso, se nos queremos entender a sério, temos que fundamentar os diferentes pontos de vista (22), sem querer apagar a luz dos outros, por fraca que pareça (20). Ora diz muito bem: cada qual, com a sua voz, tem que gritar pela paz, mas sem fugir a ser trolha na sua construção (5).
E querem melhor trolha da sociedade justa do que o P. Américo (24)? É caso para dizer: como é que há pessoas tão boas, tendo nós o triste fado do «pecado original» (18)? Ou não será um «fado» triste mas sim «a canção» de «dissonante beleza» com que Deus criou o género humano, deixando à liberdade de cada qual a criação da sua própria melodia? Não vem neste sentido a «melodia» desafiadora de Jesus Cristo?
E que dizer de um município com saldo positivo (10)? Digam lá que não é música «da pesada»!
A conversa já vai longa. Só mais uma dica: a solidariedade para com as grávidas tem que viver no respeito e atenção carinhosa para com elas e para com os bebés (11). E as famílias (2) só serão levadas a sério se as envolvermos com esse olhar!
M.A.V., o carteiro
(que não distribui o acordo ortográfico).
