O culto à eucaristia fora da missa (9)

Notas Litúrgicas M) O culto eucarístico no Tríduo Pascal (cont.)

Sexta-feira Santa – Durante a manhã de Sexta-feira Santa e até à celebração da Acção litúrgica, os fiéis podem continuar a sua oração diante do Santíssimo Sacramento de uma forma privada, centrando a sua mente na Paixão e Morte do Senhor, na origem da Igreja, nascida do lado aberto de Cristo adormecido na Cruz, e em pedir pela salvação de todo o mundo.

A Igreja, seguindo uma antíquíssima tradição, não celebra neste dia a Eucaristia. A comunhão somente é distribuída aos fiéis durante a celebração da Acção litúrgica; no entanto, os doentes que não possam participar na referida celebração podem receber a comunhão em qualquer hora do dia.

Depois da comunhão na Acção litúrgica, reserva-se o Santíssimo Sacramento fora da Igreja, num lugar adequado e não exposto às visitas dos fiéis. Contudo, diante do Santíssimo arderá continuamente uma lamparina.

Sábado Santo – Concluída a celebração de Sexta-feira Santa e até à Vigília Pascal, a Igreja convida os fiéis a prolongar a sua atitude contemplativa e oracional junto ao sepulcro do Senhor, na espera da sua gloriosa ressurreição. Neste dia de Sábado Santo, a Igreja abstem-se absolutamente da missa e do culto eucarístico. A comunhão só pode dar-se em caso de Viático.

N) «Visitas» ao Santíssimo Sacramento

A expressão visita ao Santíssimo Sacramento pode criar uma certa alergia em alguns ambientes. No entanto, ela vem já do séc. XVI e continua a ser empregada nos documentos actuais da Igreja. Usou-a na sua encíclica Mysterium fidei o Papa Paulo VI, assim como o Concílio, ao recomendar a visita como alimento espiritual aos sacerdotes (cf. PO 18); e aos diáconos se lhes recomenda que se alimentem da Eucaristia e a visitar o Santíssimo como sinal de amor (Cf. Paulo VI, Sacrum diaconatus ordinem).

O Ritual da Sagrada Comunhão e Culto do Mistério Eucarístico Fora da Missa não dedica nenhum número a esta devoção, mas indica que o lugar da reserva favoreça o recolhimento e permita a oração silenciosa em qualquer hora do dia.

Quando os fiéis se ajoelham diante da Presença sacramental de Cristo reservado no sacrário, oferecem-se espiritualmente, rogam pelo mundo e comprometem-se a uma vida mais cristã. Estar diante da Presença santa é sinal de amor e amizade, de gratidão e de comunhão. O fiel tenta identificar-se com Cristo numa união mais estreita com Ele, reaviva a sua fé, esperança e caridade; e recorda que a presença real de Cristo provém da celebração da Eucaristia.

Nas visitas, não se trata de se aproximar do Senhor para Lhe falar, mas sobretudo para se pôr em atitude de escuta da sua Palavra e colocar-se nas mãos da sua vontade. A atitude do fiel é de acolhimento, de meditação e de oração.

Na visita ao Senhor Sacramentado, e em todas as outras formas de culto à Eucaristia, o crente, como afirma João Paulo II, mostra ao Senhor o que a própria palavra “eucaristia” significa: «o agradecimento, o louvor por nos ter redemido com a sua morte e tornado participantes da sua vida imortal mediante a sua ressurreição» (Dominicæ Cenæ).

SDPL