“Disseram-nos, Senhor, que estavas morto
Há três dias, guardado por soldados,
E que ninguém podia remover
A pedra do sepulcro!
Mas, antes que o sol fosse levantado,
Ao contemplar teu Corpo glorioso,
Surpreendido, o mundo viu nascer
O dia do Senhor!”
Estas são duas estrofes de um hino de Laudes do Tempo Pascal, expressão perfeita das sombras e luzes dos nossos dias, das angústias e esperanças de muitos crentes, do pessimismo e do optimismo de multidões.
Muitos são os que pretendem sufocar a Vida: poderes instituídos, estruturas tenebrosas, roubando à Humanidade a luz da esperança, tentando convencer-nos de que nada há a fazer, pois o mundo corre vertiginosamente para a sua destruição.
Também no nosso íntimo, germina a passividade da resignação ou a subtil desculpa do acomodamento para não irmos mais longe. Também, com frequência, somos os der-rotados “discípulos de Emaús”, que ansiariam por retumbantes sucessos – humanos ou apostólicos – e que, por isso mesmo, nos desiludimos e contagiamos os demais com o desapontamento da falta de sucesso imediato.
A Páscoa é a passagem! A passagem da majestade de Deus à humilde condição de homem; a passagem do patíbulo do Cruz à manhã radiosa da Ressurreição, isto é, do aparente fracasso à vitória definitiva; a passagem da morte à Vida, ou seja, a vitória sobre o último inimigo do Homem operada por Jesus Cristo! A Páscoa é o silêncio tenso e exigente do grão de trigo que morre para germinar em pujante e irresistível força de nova vida!
A pedra do sepulcro parece, muitas vezes, demasiado pesa-da para poder ser removida pelas nossas forças humanas. Os filhos das trevas surgem, com frequência, colossalmente mais poderosos do que as ténues centelhas de luz que semeamos.
Mas a Esperança não engana! O Senhor ressuscitou! O Senhor vive e dá a Vida, a Vida em abundância! Mesmo que esmagados, a certeza que nos move é a de que, por Ele, com Ele e nEle, o Reino está a germinar, a seara cresce mesmo durante a noite e sem que demos por isso!…
Estupefacto, o mundo pode querer negar, abafar esse raiar da Nova Humanidade. Certo é que o “Dia do Senhor” nasceu, se ergueu o Astro-Rei – Aquele que não tem ocaso! A Sua Luz irá invadindo o horizonte, dissipando as trevas dos corações e das mentes, transformando os medos em sorrisos abertos, as hesitações em ousadias de fé, as resignações em projectos de inovação e criatividade evangélica!
“Coragem! Eu venci o mundo!” – são as palavras do Mestre, que nos garantem a veracidade e o poder irresistível da Páscoa! Que ecoem, sem cessar, em cada um de nós! Cristo ressuscitou! Aleluia! Vivamo-lo, para o cantarmos, até que a voz nos falte:
“Não há ressurreição sem haver morte,
Nem triunfo, se não houver batalha:
Saibamos nós morrer em cada dia
E ser o homem novo!”
