À Luz da Palavra – XXXIII Domingo do Tempo Comum – A O salmo deste domingo recorda-nos que somente aqueles que percorrem os caminhos do Senhor com fidelidade conseguem participar da Sua alegria (Sal 127, 1). Portanto, é importante que compreendamos como se pode viver em fidelidade a Deus na vida quotidiana, para que possamos alcançar a alegria da qual Ele nos fala.
É na fidelidade constante que o encontro com o outro é possível. Como nos diz a segunda leitura, o Outro, que é o Senhor, pode vir a qualquer momento e, de facto, está a vir constantemente ao nosso encontro. Por isso, é necessário que estejamos vigilantes para descobri-lo e reconhecê-lo. “Vós sois filhos da luz”, diz-nos São Paulo na Carta aos Tessalonicenses. E os filhos da luz estão sempre acordados; os filhos da luz mantêm o coração à espera, porque desejam realizar a vontade do Senhor que se apresenta nova a cada dia. Aquele que espera é capaz de ler os sinais dos tempos, é capaz de escutar a voz de Deus que chama desde os acontecimentos quotidianos, e que pede a nossa presença, a nossa acção, a nossa resposta.
O Evangelho deste domingo fala-nos do homem que confiou bens-talentos aos seus servos. Aqueles que são fiéis ao dom recebido são também os que sabem ler, nos acontecimentos da vida, a indicação de como e onde devem empregar os seus talentos para fazê-los render e dar fruto. O servo fiel – o cristão fiel – conhece o coração do seu Senhor e sabe que Ele é bom. Por isso, não lhe tem medo, não se esconde e não esconde o talento recebido. Ao contrário, emprega os dons recebidos e trabalha-os. Então, quando o Senhor vem e recolhe os frutos da sua dedicação, convida-o a participar da sua alegria: “Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu senhor”.
A liturgia deste domingo ensina-nos que vigilância, fidelidade e resposta são três tempos de um mesmo movimento. São três tempos que vão criando um dinamismo de vida, de crescimento, de rendimento do melhor que há em nós próprios. E o fruto que colhemos deste dinamismo é a felicidade autêntica.
A primeira leitura, do livro dos Provérbios, apresenta-nos um exemplo concreto de fidelidade: a vida diária de uma mulher que trabalha alegremente, que cuida dos seus e que abre as mãos generosamente para atender aquele que precisa. Desta maneira tão simples, esta mulher faz a vontade de Deus. Aparentemente não há nada de especial na sua vida, mas a leitura nos diz que, pela sua maneira de viver, ela será louvada e as suas obras falarão dela “às portas da cidade”. Esta mulher é a mulher sábia que consegue converter o ordinário em extraordinário. Isso pode também acontecer nas nossas vidas quando aquilo que realizamos está emoldurado num grande projecto, que, neste caso, não é só nosso, mas é o projecto de Deus. A sabedoria consiste em viver percebendo que, quando o que fazemos o realizamos na fidelidade ao Senhor, estamos a construir história de salvação. E nesta história nada se perde, mas cada obra – grande ou pequena – é uma peça que faz possível a construção.
À medida que aprendermos a dar significado e a valorizar cada um dos nossos actos vividos em fidelidade, como o faz o Senhor, então, faremos tudo alegremente e reconheceremos o Seu chamamento a aproximarmo-nos da mesa eucarística na qual tomamos verdadeiramente parte na Sua alegria.
Leituras: Prov 31, 10-13.19-20.30-31; Sal 127, 1-5; 1Tes 5, 1-6; Mt 25, 14-30.
Estrella Rodriguez
Fraternidade Missionária Verbum Dei
