Colaboração dos Leitores No discurso que o Senhor Presidente da República, Professor Cavaco Silva, fez na Assembleia da República no dia 25 de Abril, este mostrou-se “impressionado” com os resultados de um exaustivo inquérito, por si encomendado à Universidade Católica Portuguesa, sobre os jovens e a política.
Em três perguntas feitas: 1. Quantos estados compõem actualmente a União Europeia? 2. Quem foi o primeiro Presidente da República eleito depois do 25 de Abril? 3. Nas últimas eleições legislativas, o Partido Socialista obteve mais da metade ou menos dos deputados da Assembleia da República?, os resultados foram: às duas primeiras perguntas a maioria dos inquiridos não conseguiu responder correctamente e um terço dos inquiridos não conseguiu responder à terceira questão. (Conferir a página 24 do inquérito no site www.presidencia.pt.)
Senhor Presidente, quer ficar mais “impressionado”? Ora escute. No Canal 1 da TV pode ver-se muitas noites um concurso: “Quem quer ser milionário?”. Nele, os con-correntes são confrontados com perguntas e se responderem correctamente podem chegar a ganhar 250.000 euros.
Agora alguns exemplos: Uma concorrente não sabia se o 25 de Abril tinha sido antes ou depois da Revolução Francesa; outra não sabia se Chaves era uma cidade do Norte ou do Sul do País; outro não sabia o nome do actual Primeiro-Ministro; outro não sabia quem tinha sido o primeiro rei de Portugal; outro não sabia o que significava a data de 1 de Dezembro; outro achava que Santo Agostinho teria vivido no século XVIII, e assim por diante.
As matérias mais favoráveis são: Conjuntos rock, escândalos com figuras badaladas, quer nacionais quer estrangeiras, casos de futebol, álbuns musicais de música moderna (sabem os autores, os intérpretes, as editoras, etc.)
Diga-me agora, Senhor Presidente, se isto, que é uma pequena amostra da “ignorância institucional”, não é alarmante, sobretudo com as perspectivas de facilitismo que os Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia querem impor aos nossos jovens. Por favor e amor a Portugal, deite uma mão a este descalabro, enquanto é tempo…
Maria Fernanda Barroca
