Ponta de Lança Serão muitos os portugueses, mas não tantos assim, que “respiram” melhor depois de acabarem os campeonatos nacionais de futebol, o que sucedeu este fim-de-semana, restando apenas a Taça – já no próximo Domingo! Tanta vida hipotecada aos desenlaces do pontapé num coiro-pneumático é arrepiante para uma minoria de cidadãos. No entanto, convenhamos que, como meio de entretenimento e espectáculo, é dos mais eficazes, tal a absorvência que faz das mentes, da vida das pessoas. E, depois, é um fenómeno trans-social (o que não é sinónimo de transculturalidade!), atravessa todos os grupos sociais, com menor ou maior expressão! Está em todo o lado e mexe com tudo.
Pois bem, nem tudo o que parece é e, no caso específico do futebol, o princípio dessa hiperbol(a)ização (de hipérbole!) só agora terminou; a seguir vem a final da Taça; o campeonato da Europa de selecções com menos de vinte e um anos, em Portugal; o mundial de futebol (na Alemanha); o mercado de transferências; a preparação da pré-eliminatória da Liga dos Campeões; e, sobretudo, o processo de escolha do novo treinador do Benfica!!… Não pára!
Lamentavelmente, para todos os portugueses que se posicionam perante este encómio como acabamos de aludir, o futebol está para o mundo como o desemprego em Portugal para a média da União Europeia… também não pára!? A previsão aponta para mais de 8% dos portugueses desempregados! Terrível!
Com todos os sacrifícios já feitos, todos pensariam que rapidamente o país, o União Europeia, o mundo estabilizaria. Afinal, todos estamos ao sabor dos humores do petróleo (dizem!). O que acontece é que estamos pobres, hipotecados, e não temos por onde comer! O caminho mais indicador perece ser um novo êxodo, agora a caminho dos campos, onde pelo menos se poderá semear alguma coisa para comer! Haverá esperança para essa saída!? Não há muito tempo, éramos pobres, não tínhamos dívidas e a “casa” era remediada! Sem qualquer nostalgia, restam três hipóteses: trabalho e pão (ou seja, ganhar para comer); pão e trabalho (ou seja, inovação, produtividade e, em consequência, emprego); nem pão nem trabalho (desmoronamento social)!
O fim do princípio? Como se desejava que fosse o princípio do fim! Mas, provavelmente, nem ao fim do princípio teremos chegado!
Desportivamente… pelo desporto!
