O grito que soltam todos os cristãos e cristãs

À Luz da Palavra – Domingo da Ressurreição A Igreja celebra, hoje, a Páscoa de Jesus, ou seja, a sua passagem da morte à vida plena e imortal, através da sua ressurreição. Cristo ressuscitou! É o grito que soltam todos os cristãos e cristãs que se empenharam verdadeiramente na vivência do período quaresmal e, em especial, da Semana Santa, evocativa da paixão e morte do Senhor. Alicerçados na Palavra de Deus, aproximemo-nos do acontecimento da ressurreição de Jesus Cristo, porque é ele que dá razão de ser à nossa fé cristã.

O evangelho apresenta-nos um relato, cheio de movimento e de frescura, no qual Maria Madalena, a discípula sempre fiel, corre ao sepulcro, logo de manhãzinha, e vê que a pedra que fora colocada a tapar a entrada do sepulcro está retirada. E corre a anunciá-lo a Pedro e a João, pensando ela que tinham roubado o corpo do seu Senhor. A partir daqui, podemos analisar o movimento destes dois discípulos e a lógica de cada um. Pedro, que tentou afastar Jesus do sofrimento e da morte, representa a lógica humana de que o amor partilhado até à morte, o serviço simples e sem pretensões e a entrega da vida, só conduzem ao fracasso e não são um caminho sólido e consistente para chegar ao êxito, ao triunfo e à glória. João, que seguiu Jesus até à morte de cruz, representa o discípulo ideal, que ama Jesus apaixonadamente e que por isso entende o seu caminho e a sua proposta. Não se escandaliza que da cruz nasça a vida nova e plena, a vida verdadeira. A ressurreição de Jesus prova, precisamente, que a transformação total da nossa realidade e das nossas capacidades passa pelo amor dado até às últimas consequências. É da entrega das nossas vidas que nasce a vida nova, que permanece para sempre. Este relato apresenta-nos o sepulcro vazio. Outros relatos nos contam como cada um dos discípulos do Senhor solidificou a sua fé, através da experiência mística com Jesus ressuscitado.

Na primeira leitura, Pedro, já transformado pela experiência do Ressuscitado, proclama a todos o primeiro anúncio catequético ou kérygma, isto é, a fé em Jesus de Nazaré, que “passou fazendo o bem e curando a todos os que eram oprimidos pelo demónio”, e que os judeus mandaram matar e crucificar, mas a quem Deus ressuscitou, e foram muitas as testemunhas que conviveram com Ele, após a sua ressurreição.

Na segunda leitura, Paulo afirma que todos os que são baptizados em Cristo ressuscitaram com Ele e vivem já uma vida nova, embora escondida com Cristo em Deus. É uma verdadeira vida de ressuscitados, mas ainda não totalmente manifesta, porque envolvida nos limites e fraquezas da vida terrena. Assim, os cristãos e as cristãs, vivendo a sua condição de baptizados em Cristo, acreditam que o medo, a morte, o sofrimento e a injustiça deixam de ter poder sobre o ser humano, porque, pela sua ressurreição, Jesus de Nazaré tornou-se Cristo, o Senhor. E empenham-se em ser testemunhas desta ressurreição por uma vida de amor e de entrega, sinal da vida nova de Jesus em nós.

Domingo da Ressurreição: Act 10, 34a.37-43; Sl 118 (117); Cl 3, 1-4; Jo 20, 1-9

Deolinda Serralheiro