O ilhavense

Ponta de Lança O 84º aniversário do trimensário independente fundado por José Pereira Teles, acabado de celebrar, sugere-nos, por razões que vão para além da mera circunstância profissional – se bem que entendamos o património profissional muito mais que circunstância e nunca como acidental (mera) circunstância! – o envolvimento ilhavense, como certamente o de muitos dos nossos leitores nas suas profissões, é filial, fraterno, co-edificador de uma comunidade, da riqueza dos seus filhos, tradições e culturas. Por isso, sentimo-nos, provavelmente usurpando o estatuto, como filhos também.

O Sábado, dia 19 de Novembro, permitiu comungar do espírito participativo de um grupo de homens, mulheres, jovens que amam o que é seu, projectam-no, reflectem-no para si e para além das suas fronteiras. No caso, os media (isso, m-e-d-i-a, de origem latina; e não midia, “inglesismo latino”?!) como comunicação e desenvolvimento, em síntese. Foi um verdadeiro fórum de investigadores, atenta e democraticamente conduzido; aqueles investigadores que ao Sábado, principalmente por força das exigências dos tempos, descobrem o mundo, tentam compreendê-lo e dar-lhe sentido através do prestimoso serviço dos jornais.

Curiosamente fomos percebendo um pouco mais da força que representa um grupo coeso, decidido. As Viagens na minha terra (de Almeida Garrett) foram ganhando expressão, rosto, “… o orador ílhavo não era homem de se dar assim por derrotado. Olhou para os seus, como quem os consultava e animava, com um gesto expressivo, e voltando-se a nós, com a direita estendida aos seus antagonistas:

— Então agora como é e força, quero eu saber, e estes senhores que digam, qual é que tem mais força, se é um toiro ou se é o mar.

– Essa agora!…

– Queríamos saber.

– É o mar.

— Pois nós que brigamos com o mar, oito a dez dias a fio numa tormenta, de Aveiro a Lisboa, e estes que brigam uma tarde com um toiro, qual é o que tem mais força?

Os campinos ficaram cabisbaixos; o público imparcial aplaudiu por esta vez a oposição, e o Vouga triunfou do Tejo.”

E ficou resolvido. Sossegámos o espírito porque, valha a verdade, isto até acaba por ser mais uma constatação. É evidente que ainda hoje, sem precisar de ir até ao Tejo, os de ílhavo levam a melhor em muitas frentes. Por que é que o Aveiro Basket (sim, a equipa profissional de Aveiro, financiada pelo Município, do escalão maior da modalidade, … correcto, essa mesma) vai cabisbaixa até ao Pavilhão de Ílhavo para poder jogar a Liga? Embrião de um projecto intermunicipal?

Parabéns “O ilhavense”!

Desportivamente… pelo desporto!