Realçada a missão formativa e evangelizadora nos 20 anos do ISCRA. A escola de teologia está em “refundação” e deverá submeter-se a uma avaliação interna e externa
“Não somos apenas uma escola onde se aprende mais”, mas onde se pode “crescer na fé, na verdade e na comunhão”, disse D. António Francisco na comemoração dos 20 anos do ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro). “[Somos] escola de discípulos, moldados pela pedagogia do Mestre, com coração disponível para receber o Espírito”, acrescentou. O Bispo de Aveiro realçou a dimensão pastoral da escola de teologia e ciências religiosas da Diocese de Aveiro: “Testemunhar a fé cristã, caminho privilegiado da evangelização”; “formar formadores da fé”. E deixou-lhe uma sugestão: ir ao encontro dos que têm “nostalgia de Deus”. “Os procuram Deus por caminhos discretos encontrem nesta escola respostas e desafios”, disse.
As comemorações decorreram na manhã de 5 de Outubro, no Seminário de Aveiro, onde funciona a escola da Diocese. O momento mais participado – A Eucaristia –, contou com a presença de cerca de uma centena de pessoas. Seria de esperar mais participação, quer da comunidade cristã quer dos alunos, tendo em conta a oferta plural do programa comemorativo. Além da Eucaristia de Acção de Graças, o programa incluiu uma sessão solene com momentos musicais, atribuição de diplomas, conferência sobre a última encíclica papal, exposições de pintura e fotografia e feira do livro. Liderou a comissão que preparou as comemorações o P.e José Manuel Pereira.
Avalião interna e externa
O ISCRA foi criado por D. António Marcelino no dia 29 de Junho de 1989.
O presidente da direcção, P.e Querubim Silva, lembrou “a lucidez, missão e zelo apostólico” que “em boa hora” iniciaram as diligências para ter ensino superior na Diocese e sublinhou que o ISCRA está actualmente “em rota de institucionalização plena”, de “refundação”.
Na sessão solene, D. António Francisco, que enquanto Bispo de Aveiro, é o presidente do ISCRA, afirmou que esta “instituição da Igreja vale pela coerência do que ensina e autenticidade do que testemunha” e sublinhou que a escola quer adaptar-se ao Processo de Bolonha [que, basicamente, pretende estabelecer as mesmas regras básicas nos cursos superiores do espaço europeu, de modo a facilitar a migração de professores e estudantes], assumindo as devidas exigências. Um delas é a “disponibilidade para uma avaliação interna e externa”.
J.P.F.
Grave é que os cristãos
não ouçam o Papa
“O mundo é sensível à chamada dos papas; recebe as encíclicas, ainda que com uma reacção muito limitada; mas depois não rege ao fundamento evangélico”, disse Gaspar Mora, nas comemorações do ISCRA, a propósito da encíclica social de Bento XVI, “A Caridade na Verdade”.
Para o padre e teólogo catalão, que o mundo assim proceda em relação aos ensinamentos sociais da Igreja, é de lamentar, mas o que é “mais grave” é o pouco “eco eclesial” que os mesmos ensinamentos obtêm por parte dos cristãos. “Se houvesse mil milhões de cristãos [sensivelmente o número de católicos no mundo] criando relações novas de paz, justiça e verdade, gerando comunhão de comunidades”, o mundo seria necessariamente mais justo, com menos miséria, mais fraterno.
Gaspar Mora considerou que há um “ocultamento” antropológico que “reduz o amor à relação emotiva e fruitiva” e que impede que as relações económicas, sociais e políticas sejam lidas na perspectiva do amor cristão (a caridade).
